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Esporte: aliado ou vilão dos pacientes asmáticos

As Olimpíadas e Paralimpíadas terão início em algumas semanas no Rio de Janeiro, momento em que a prática do esporte estará mais em alta do que nunca. É inegável que o esporte promove qualidade de vida e bem-estar físico e mental para as pessoas, mas isso nem sempre é uma realidade no caso particular de muitos asmáticos. Em 2008, uma iniciativa conjunta entre a Academia Europeia de Alergia e Imunologia Clínica e a Academia Americana de Alergia, Asma e Imunologia definiu o conceito de asma induzida por exercício (AIE): obstrução das vias aéreas inferiores e sintomas de tosse, chiado no peito ou falta de ar; uma doença alérgica que surge a partir da prática de atividade física.

Mas nem todos os esportes propiciam o surgimento deste tipo de alergia. De acordo com o coordenador técnico do Brasil Sem Alergia, o médico alergista Marcello Bossois, a AIE está bastante associada a atividades intensas e esportes de resistência como futebol, ciclismo e atletismo. “Os sintomas podem surgir durante a prática do esporte, mas geralmente aparecem de 5 a 10 minutos após parar a atividade”, explica. Segundo o especialista, as repercussões normalmente não são muito intensas, mas é preciso investigar o que está causando a doença. O ambiente, por exemplo, também pode influenciar o aparecimento dos sintomas, dependendo da temperatura, umidade e qualidade do ar. “Um atleta pode respirar bem dentro de uma quadra de basquete fechada, por exemplo, mas apresentar sintomas quando praticar esporte em um campo gramado ou em climas frios e secos”, comenta o coordenador da ação social.

Dois mecanismos podem desencadear a asma induzida por exercício: osmótica, por desidratação das vias aéreas; térmica, por perda de calor das vias aéreas. Chamado de broncoconstrição, a AIE causa redução da função pulmonar, além da liberação de mediadores inflamatórios (causadores de alergias) que surgem devido à perda de água da superfície das vias aéreas após a elevada ventilação durante o exercício. Indivíduos que praticam esportes de forma recreativa podem apresentar a doença, muito embora a maior prevalência seja entre atletas profissionais – por conta da alta intensidade e das longas horas de prática do esporte.

“Mas não é para as pessoas pararem de praticar esportes, muito pelo contrário”, afirma dra Patrícia Schlinkert, que também é uma das coordenadoras do Brasil Sem Alergia. Ela lembra, inclusive, que existem modalidades que são “remédio” para asmáticos. A natação, desde que praticada em piscina aquecida e de água salgada, é uma forte aliada. Um estudo da Unicamp revelou que a prática do esporte diminui a hipersensibilidade dos brônquios das crianças asmáticas, diminuindo as crises e os ataques de falta de ar. “É importante entender o que está causando a asma, pois assim o médico poderá receitar a melhor forma de se praticar o exercício físico”, conclui Schlinkert.

Cinco dicas dos especialistas para prevenir e/ou controlar a AIE:

– Evitar atividades aeróbicas em ambientes poluídos;
– Fazer o controle de ambiente e as vacinas de imunoterapia;
– Evitar exercícios extenuantes;
– Fazer uso de medicamento para o pulmão em casos de broncoespasmo;
– Praticar natação em piscinas aquecidas e de água salgada.


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