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SeaWorld promete acabar com show de orcas

O parque SeaWorld de San Diego, nos EUA, anunciou que planeja acabar com seu famoso e controverso show de orcas. A atração deve seguir até o final de 2016, quando será substituída por outra em mais sintonia com o “comportamento natural” dos animais, disse o diretor da empresa, Joel Manby, nesta terça-feira (10).

Com o número de visitantes em queda, o parque enfrenta há alguns anos duras críticas sobre o tratamento que os mamíferos marinhos recebem no cativeiro. O anúncio veio também na esteira de um terceiro trimestre ruim para as finanças do SeaWorld.

Ativistas de direitos animais, que pressionam a empresa pelo fim da exibição pública das chamadas baleias assassinas, consideraram o anúncio nada além de uma fachada para tornar o show com os animais mais aceitável por parte do público.

A mudança, revelada numa reunião da empresa com investidores, vem logo depois de uma decisão de fiscais da Califórnia, que barraram, no mês passado, o SeaWorld San Diego de continuar a reproduzir as orcas sem um plano de expansão do seu habitat artificial.

Nova experiência

Como disse Manby, 2016 será o último ano da “experiência atual com orcas”, em que os animais executam vários truques ao comando dos treinadores. Um dos destaques desse show tem sido o pulo da orca, que desencadeia respingos nas primeiras filas de espectadores na arena Shamu Stadium, nomeada em homenagem à baleia original das performances do SeaWorld na década de 1960 e início dos anos 1970.

“Em 2017, vamos lançar uma nova experiência, com tema de conservação e num ambiente mais natural”, disse Manby, acrescentando que os planos foram baseados nas pesquisas que o parque fez com seus visitantes. “Eles querem uma experiência que mostre o que os animais fariam na natureza”, disse. “Lá, eles pulam, eles mergulham.”

Manby não entrou em detalhes, dizendo apenas que haveria menos teatralidade. “O show vai incluir mensagens sobre conservação e dicas para os hóspedes fazerem algo pelas orcas na natureza”, diz um comunicado da empresa à imprensa.

Não foram mencionadas mudanças no show de orcas nos outros dois parques aquáticos da empresa, em Orlando, na Flórida, e em San Antonio, no Texas.

Efeito Blackfish

O SeaWorld tem enfrentado críticas e quedas na receita desde o lançamento do documentário Blackfish, em 2013, que mostrou o cativeiro e a exibição pública de orcas como intrinsecamente cruel.

O filme também explorou as circunstâncias que levaram à morte de um treinador experiente do SeaWorld em 2010. Ele foi puxado para debaixo d’água e afogado por uma orca com a qual ele já havia se apresentado na Flórida.

Desde o incidente, treinadores não foram mais autorizados a entrar na água com as orcas durante as performances no parque.

A empresa tem procurado combater a publicidade negativa vinda do Blackfish com uma ação vigorosa de relações públicas, que destaca o papel do parque na pesquisa de mamíferos marinhos e no resgate e reabilitação de animais selvagens.

Um projeto de expansão do parque, porém, não foi bem aceito pelos opositores, que defendem a reintrodução das 11 orcas pertencentes ao SeaWorld à natureza. No total, o parque tem 24 orcas em suas três unidades.

“Um fim para as performances circenses do SeaWorld é inevitável, mas é justamente o cativeiro que nega às orcas a oportunidade de terem comportamentos naturais, que são fundamentais para elas”, afirma Bem Williamson, diretor da organização People for the Ethical Treatment of Animals (PETA).


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