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Asilo vizinho ao Beira-Rio tem queda de doações com obras

Um casarão de frente para o rio, afastado do resto da cidade, pode ser o refúgio para quem procura paz e descanso na terceira idade. Em Porto Alegre, entretanto, quem vive no Asilo Padre Cacique convive com o barulho das obras do estádio Beira-Rio e das ruas do entorno. Nas próximas semanas, ao incômodo será incorporada a movimentação constante de torcedores.  O casarão que abriga cerca de 150 idosos foi inaugurado em 1898 e seus únicos vizinhos eram as águas do Guaíba e o morro Santa Tereza. Hoje, a vizinhança mudou: tratores, betoneiras, buzinadas e um estádio novo fazem parte do entorno. Enquanto há transtornos, vias trancadas e barulho de construção, a calmaria do local parece intacta, mas algumas rotinas da casa foram alteradas.  A superintendente-executiva do asilo, Cristina Pozzer, admite que a instituição sofre com as mudanças no entorno do estádio Beira-Rio, porém, em menor proporção. O período de obras é complicado. Diminuíram as doações, a participação das pessoas, as visitas de familiares pela dificuldade de acesso que a obra trouxe, conta. A superintendente compara o isolamento atual do asilo com o mesmo que havia nos primeiros anos de funcionamento, quando a instituição localiza-se em um sítio afastado do restante da cidade, cenário que mudou com o crescimento de Porto Alegre. É muito melhor ter uma casa aberta, participativa, que recebe pessoas com facilidade, onde os moradores têm liberdade de sair e passear, aponta. Ela acredita que os passeios dos idosos diminuíram também após o início das obras pela dificuldade de locomoção.  Devido à dificuldade de acesso ao asilo, as férias dos voluntários, antes ocorridas de dezembro a março, iniciaram em novembro do ano passado, e o trabalho só foi retomado em abril. Segundo a funcionária, o número de assaltos na área também cresceu devido ao fechamento das vias. Os funcionários iniciam às 7h e saem às 19h. Depois, inicia-se o outro turno, que vai das 19h às 7h. Aqueles que saíam ou que chegavam pela manhã, quando ainda é escuro, andavam em grupos por medo, destaca. Dentre outras adversidades sofridas pelo asilo está a falta de internet sem aviso prévio, ocorrida principalmente devido à troca de postes de luz. Hoje é impossível trabalhar sem internet. Já ficamos uma semana inteira sem o serviço sem nenhuma explicação, afirma. Além do trabalho prejudicado, uma das atividades preferidas de alguns moradores também não acontece: as aulas de informática. Barulho não é problema Apesar dos problemas vividos pelo asilo, Cristina lembra que engenheiros visitaram o local com medidores de decibéis durante os primeiros dias de obra em todos turnos para verificar se o nível de ruído estava dentro do permitido. A Andrade Gutierrez avisou o que seria feito no Beira-Rio, avisou quando as hastes de metal começariam a ser levantadas, o barulho que ocasionaria, avisaram que o pessoal iria trabalhar à noite. E tudo o que disseram, cumpriram, fala. Para os moradores, a movimentação em torno do estádio é até divertida.  Eles gostam do barulho e do movimento em dias de jogos, chegam a ir ali para frente olhar. Adoraram o show de luzes no dia da reinauguração, eles não se incomodam enquanto puderam ter sua rotina aqui dentro, revela. Para ela, é importante que haja um sentimento de estarem próximos do que está acontecendo. Material produzido sob a supervisão da professora Anelise Zanoni


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