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China recupera Ibovespa após perdas; dólar segue nos R$ 4

Após registrar forte recuo na sessão anterior, o Ibovespa compensa parte das perdas e registra leve alta nesta terça-feira (5). As medidas do governo da China para tentar impedir que o mercado de ações e o iuan tivessem um novo revés contribuem para o tom otimista dos investidores.

Vale lembrar que no pregão de segunda-feira (4), o Ibovespa fechou com perdas de 2,79%, a 42.141 pontos, menor patamar desde 1° de abril de 2009.

De acordo com Luis Gustavo Pereira, estrategista da Guide Investimentos, a direção das bolsas europeias e norte-americanas contribuem para que o apetite ao risco prevaleça no ambiente doméstico.

“Mesmo com as medidas do governo chinês, a maioria das bolsas asiáticas não conseguiu reverter a tendência e apenas reduziu as perdas. Mas isso foi suficiente para ditar outros comportamentos dos agentes globais”, disse Pereira. “A tendência positiva é uma resposta à perda exagerada dos mercados ontem”, completou.

Após ter registrado queda acentuada no início da sessão, Xangai se recuperou depois que o Banco Popular da China (PBoC, o banco central da China) injetou quase U$ 20 bilhões em fundos de curto prazo (maior valor desde o dia 8 de setembro).

Também contribui para a tendência otimista o fato de a CVM chinesa (China Securities Regulatory Commission) ter afirmado que pode criar novas regras para regular a venda de ações por parte de empresas cotadas e que iria ajustar ainda mais o mecanismo de “circuit breaker” em meio a críticas de que tinha alimentado o movimento de venda na segunda-feira (4).

Além disso, segundo o Financial Times, fontes afirmam que houve compra de ações e venda de dólar por parte de estatais (não confirmada oficialmente). “As medidas da China ajudar a interromper a pressão”, observou Pereira.

De acordo com o estrategista da Guide Investimentos, é importante destacar que o Ibovespa chegou em um patamar relevante de suporte. “42.800 era uma região de suporte que não tinha sido perdida no ano passado. Como o índice cedeu abaixo dessa tendência em um dia de perda exagerada, acredito que há espaço para se recuperar”, avaliou.

Entre as ações, Pereira destaca o desempenho favorável dos bancos e da Vale para contribuir com a tendência positiva do Ibovespa. Os papéis do BB Seguridade (BBSE3) sobem 4,86%, enquanto os do Itaú Unibanco (ITUB4) avançam 0,55% e os do Banco do Brasil (BBAS3) ganham 1,54%. No mesmo sentido, as ações da Vale (VALE5) têm alta de 0,30%. A queda de 2,03% dos papéis da Petrobras (PETR4) acabam por limitar ganhos mais expressivos do índice doméstico. Às 13h10, o Ibovespa subia 0,66%, a 42.423 pontos.

Câmbio

O dólar opera em queda após atingir a máxima de R$ 4,0575 e atrair fluxo positivo da moeda para o mercado doméstico e empurrar a cotação para baixo. De acordo com Jefferson Luiz Rugik, diretor da Correparti Corretora, o fluxo de dólares veio principalmente de exportadores, que aproveitaram a cotação elevada para vender a divisa.

Apesar do fluxo de dólares, a cautela com a desaceleração da economia chinesa que gerou aversão generalizada ao risco no último pregão ainda mantém a moeda em R$ 4.

Às 13h10, o dólar à vista tinha queda de 0,49%, cotado a R$ 4,0212. A cotação bateu na marca de R$ 4,0575 na primeira hora de negócios. No mercado internacional, o Dollar Index – que mostra a variação da moeda ante uma cesta de seis divisas – tinha valorização de 0,46% e pode ditar o ritmo do mercado doméstico ao longo do pregão.


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