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(Des)união europeia

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. Restrições comerciais e abalos políticos ainda permeiam alguns países, que infelizmente não conseguiram retomar a confiança às instituições mantenedoras da paz social e o perfeito funcionamento das economias.

Empréstimos e ajudas financeiras foram realizados, assim como reformas na máquina pública portuguesa e grega tentam azeitar o funcionamento das engrenagens, que mesmo sob forte pressão da união europeia, resistem em alguns pilares.

Neste meio, o que poderá alterar a temperatura do crescimento é a intensidade de como os países do leste europeu se posicionarão frente à zona de comércio e como o Reino Unido se portará perante os próximos eventos, que poderão culminar com a desarticulação do bloco.

A retomada da confiança, o crescimento no nível de empregos e a geração de excedentes podem colocar novamente o gigante continente europeu nos trilhos. São estes os itens esperados para a retomada da economia. Itália, Espanha e a mais sofrível economia grega começam seus trabalhos de juntar os cacos, com uma união política frágil, mas ainda sim unida.

A renovação política não saiu do mesmo tamanho que a intensidade dos apelos populares se materializou. Significa por assim dizer que, mesmo trocando os governos, as amarras europeias continuaram a prender o navio, impedindo sua navegação em alto mar, sem tempestades.

Não há previsão de abalo na união franco alemã, que desponta com um jogo de interesses muito forte na união europeia. A situação está longe de ser dita de amizade, entre Merkel e Hollande, mas os anseios políticos de ambos potencializam a cordialidade de ocasião.

A luta agora, que superou o medo da queda do EURO, como moeda única, é resguardar as forças políticas, que mesmo sem a onipresente determinação econômica, não tende a retroceder. A visão é que, mesmo com o abalo econômico, a França e a Alemanha não pretendem abrir mão de suas funções de líderes do bloco, e juntas, enfrentam a isolada ilha britânica, que reclama de maiores espaços para crescer e melhores condições de sua economia, que esboçou reação mas já apresentou novos movimentos de queda.

David Cameron pode estar apenas manobrando politicamente para que o Reino Unido saia da União Europeia, mas o fato é que, como nem Alemanha, nem França manifestaram a menor preocupação com o resultado, buscou-se apoio nas fileiras populistas de transferir o ônus da possível perda econômica para a população. A falsa integração britânica com a Europa está por um fio, mas a debilidade que poderá ser instaurada no país da Rainha terá a fatura divida entre todos.

Londres é reconhecidamente forte pelo centro de serviços financeiros, e tal desarticulação promoverá uma mudança no mapa financeiro destes agentes, o que possivelmente beneficiária França e Alemanha, que repatriariam muitas empresas financeiras para seus territórios, ganhando mais com os giros de capital.

Quanto às ligações comerciais exteriores, teme-se uma perda muito forte para o lado inglês, e tal consoante já deixa aflitos os empresários de Londres, externalizando suas preocupações através de cartas e memorandos, mantendo-se favoráveis a manutenção inglesa na União Europeia.

A verdade é que, França, Alemanha e Reino Unido nunca dialogaram na mesma linguagem econômica, sempre tentando buscar a maximização de suas potencialidades frente as desagregação de outros países, principalmente do leste europeu.

Agora, em um cenário ruim para todos os lados, Londres enxerga solução para seus problemas a sua saída da União Europeia, o rompimento de amarras e regras impostas por Berlim e Paris, liberando-os para ampliar as práticas de ajuda ao progresso econômico, tentando unicamente melhorar sua situação.

Muitas negociações ainda estarão por vir, porém mais uma vez o discurso de integração econômica vale apenas enquanto os anseios políticos e financeiros estiverem alinhados, enquanto isso, o leste europeu, com um mercado menos maduro, serve apenas como mercado consumidor e fornecedor de mão de obra barata, sem integrarem verdadeiramente o bloco.



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