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Segunda-feira, 26 de Novembro de 2018 - 15h16

"Eu não quero parar de trabalhar", diz Stepan Nercessian

Agência Brasil

 

Nascido em Cristalina, interior de Goiás, o ator Stepan Nercessian começou cedo no mundo das artes e hoje tem mais de 50 anos de carreira. “Eu tenho 65 anos, e o primeiro filme que eu fiz tinha 14. Então é um bom tempo enganando a opinião pública”, brinca ao falar de sua trajetória artística.

 

Stepan já fez mais de 40 filmes, seriados e novelas. Atuou como Chacrinha nos palcos e em um especial de tv. Agora interpreta mais uma vez a vida do apresentador nas telas de cinema no filme Chacrinha: O Velho Guerreiro, lançado em 8 de novembro. Com direção de Andrucha Waddington, a obra mostra a trajetória do comunicador desde sua chegada ao Rio de Janeiro para fazer bicos em rádios até o sucesso dos programas de auditório exibidos entre os anos 50 e 80.

 

Em entrevista ao programa Conversa com Roseann Kennedy, da TV Brasil, Stepan Nercessian fala dos desafios de interpretar Abelardo Barbosa, um dos ícones que fizeram história na televisão brasileira. “Eu nunca fui um imitador, então eu não sei imitar bem, nunca soube. Eu precisava fazer o Chacrinha e o Abelardo Barbosa, que é o trabalhador, o pai de família, que é a realidade da coisa”.

 

Dono de um temperamento explosivo, Chacrinha ficou conhecido pelos bordões bem-humorados, pelas ideias ousadas e pela originalidade que conquistou grandes audiências. Ao analisar a vida do Velho Guerreiro, Stepan Nercessian lembra que ela nem sempre foi fácil. “Para poder manter o que ele pensava, o Chacrinha largou emprego, rompeu contrato, brigou com donos de todas as emissoras de televisão, com todos os diretores, com o Ibope, com a polícia, com a censura, com a igreja, com os psiquiatras. Fizeram uma junta médica e deram um diagnóstico de que ele era débil mental e que, portanto, um débil mental não podia ter um programa. Teve essa campanha para tirar o Chacrinha do ar”.

 

Já em relação à sua trajetória profissional, Stepan Nercessian se considera um privilegiado. “Eu fui feliz porque eu tive duas famílias. Eu tive a minha família de sangue e outra família da arte, do cinema brasileiro”. E citando os atores Grande Otelo e Henriqueta Brieba, se diz orgulhoso de ter sido criado por grandes talentos nacionais. “Sou grato também pela vida. A vida me permitiu conviver com as pessoas que eu sempre amei, que eu idolatrava, que para mim eram ídolos e que de repente eu estava ali abraçando e convivendo com o Jerry Adriani, Agnaldo Timóteo, Tom Jobim...”

 

Ao relembrar sua carreira, Stepan Nercessian diz que não tem saudades dos antigos projetos. “Eu não me apego a nada disso. Eu sou louco para saber qual será o meu próximo trabalho. A minha preocupação é qual o personagem que me fará trazer comida para dentro de casa. Então o próximo trabalho para mim é o mais importante, é o que eu não fiz ainda”.

 

Há 14 anos, Stepan Nercessian também preside o famoso Retiro dos Artistas, no Rio de Janeiro. O local, que já completou 100 anos de existência, oferece apoio social e assistencial à classe artística. E para quem convive de perto com a vulnerabilidade desses talentos, ao falar sobre o futuro, o ator demonstra preocupação. “Ganhar o pão de cada dia. Esse é o desafio de todos nós, isso é o que nos iguala. Isso é o que mostra que não existem diferenças entre as pessoas. Tem que trabalhar. Então a coisa que eu mais me preocupo na vida, o que eu mais me preocupo com os outros, é com o trabalho”. E finaliza: “Então, eu sempre peço a Deus e eu luto. Eu não quero parar de trabalhar.”



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