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Sexta-feira, 10 de Agosto de 2012 - 15h04

"Caçulinha" das aplicações é boa de briga

Brasil 247
Shutterstock

Arthur Vieira de Moraes* para o 247 - A mais tradicional aplicação financeira do Brasil mudou recentemente e muitos se lamentam porque a poupança passou a render menos. Mas será que isso é verdade? Um olhar um pouco mais cuidadoso vai revelar que a poupança nunca foi tão boa quanto é agora. A maioria dos brasileiros sequer sabe que a poupança mudou. Ela continua sendo acessível a qualquer poupador, isenta de imposto de renda, livre de taxa de administração, com rendimento mensal e liquidez diária. A mudança aconteceu no rendimento, que passou a ser indexado e condicionado à taxa básica de juros, a Selic -- e, portanto, pós-fixado.

Desde o dia 03 de maio, se a taxa básica de juros for superior a 8,5% ao ano, o rendimento permanece como era antigamente: 0,5% ao mês mais a TR. Se a taxa básica for igual ou inferior a 8,5% ao ano, o rendimento da poupança passa a ser de 70% do valor da Selic mais a TR. Desde então, para saber quanto rende a poupança, primeiro é preciso saber em quanto está a taxa básica de juros -- Selic, que muda constantemente.

Se estiver em 8,5% ou menos, basta multiplicar esse valor por 0,7. O resultado será a rentabilidade da poupança. No patamar atual da Selic, de 8% ao ano, a poupança rende 5,60% ao ano, o que equivale a 0,46% ao mês mais TR. Rendimento menor do que os antigos 0,50% -- mas, proporcionalmente, muito superior.

É preciso lembrar que os juros no Brasil eram muito altos, os maiores do mundo. Para se ter idéia, entre fevereiro e junho de 2003, a Selic estava em 26,5%. A poupança era prefixada em 6,17% ao ano, portanto, nesse período, a poupança rendeu apenas 23,28% da taxa Selic. Na média nesses últimos dez anos, a poupança rendeu menos de 60% da Selic.

Os autores de educação financeira eram uníssonos ao dizer que deixar dinheiro na caderneta de poupança era um erro, um desperdício, e estavam corretos, já que bastava optar por outros simples produtos bancários, como CDB ou fundo de renda fixa, para receber taxas muito superiores às da poupança, mesmo pagando imposto de renda e taxa de administração.

Nos tempos atuais, a poupança se tornou competitiva e chega a render mais que esses outros produtos, principalmente fundos de renda fixa com altas taxas de administração. Caderneta de poupança que rende 70% da taxa Selic é a melhor dos últimos tempos.

Muitos outros produtos de renda fixa, mais sofisticados, permanecem sendo mais rentáveis do que a poupança -- Tesouro Direto, LCI, LCA etc. Mas essas aplicações são de médio a longo prazo, em geral não são acessíveis para pequenos valores e não possuem liquidez diária. Portanto, não são indicadas para quem pode precisar de dinheiro em uma emergência.

Imprevistos não são imprevisíveis. É desejável possuir uma reserva de dinheiro em uma aplicação com liquidez diária (possibilidade de sacar o dinheiro a qualquer momento), que servirá como um seguro contra os imprevistos que sempre aparecem na vida das pessoas.

Poupança e fundos de renda fixa, apesar de renderem menos, oferecem liquidez diária e proporcionam a tranqüilidade necessária para poder aproveitar os melhores rendimentos dos produtos estruturados de longo prazo. Não importa que rendam pouco, a função desses produtos é proteger o dinheiro do efeito corrosivo da inflação.

O ideal é definir um valor que irá compor esse "seguro" contra imprevistos, pode ser o equivalente a seis meses das despesas familiares mensais (aluguel, escola, supermercado, transporte, lazer, vestuário etc), por exemplo. Somente após a formação desse "seguro", aplicar o dinheiro excedente nos produtos de longo prazo ou até em ativos de risco, como ações e fundos imobiliários, entre outros.

Poupança ou fundo de renda fixa?

Enquanto a Selic estiver abaixo de 8,5%, só valerá a pena optar por fundos de renda fixa que cobrem taxa de administração abaixo de 1% ao ano, e esses são a minoria. Além disso, não se pode esquecer da mordida do leão, já que o rendimento dos fundos de renda fixa é tributado na fonte. A alíquota vai de 22,5% a 15%, dependendo do prazo da aplicação.

A poupança é livre de taxas e de imposto de renda e, por isso, consegue ser mais rentável do que muitos fundos, depois de considerados os descontos da taxa de administração e do tributo.

Conta a favor dos fundos de renda fixa a rentabilidade diária, o aplicador pode resgatar o dinheiro quando quiser sem ser penalizado. Se fizer um resgate no 15º dia do mês, por exemplo, vai receber o rendimento correspondente a 15 dias de aplicação do mês corrente.

Já na caderneta de poupança, a rentabilidade é mensal, quem resgata o dinheiro antes do "aniversário" perde o rendimento desse último mês. Por exemplo: uma aplicação feita no dia 20 de um mês vai ter o rendimento creditado apenas no dia 20 do mês seguinte. Se um resgate for feito antes do dia 20 (considerado o dia de "aniversário"), não haverá nenhum rendimento a receber.

A poupança continua sendo a "caçulinha" das aplicações, mas nunca foi tão boa quanto é agora. Fique atento. As circunstâncias mudaram, o Brasil segue melhorando e a queda da taxa de juros é um grande avanço.

Essa nova realidade exige cada vez mais que os brasileiros se eduquem financeiramente. Compare as opções de aplicação do seu dinheiro e procure aprender sobre os produtos mais rentáveis. Esse pequeno esforço fará toda a diferença no seu futuro.

* Arthur Vieira de Moraes é agente autônomo de investimentos e membro orientador do Instituto Nacional de Investidores (INI)

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