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Segunda-feira, 06 de Agosto de 2012 - 08h16

Londres tem destaques de superação

Brasil 247
Edição/247

Gisele Federicce _247 - Apenas pelo fato de terem sido classificados para uma Olimpíada, os atletas já poderiam ser considerados exemplos de superação. Mas como se não bastasse toda uma vida dedicada ao esporte, alguns deles se destacam ainda mais. Isso por terem algum tipo de deficiência ou certa característica que (em teoria) os deixaria em desvantagem ao competir com quem tem todas as partes do corpo ou não apresenta problemas em algum dos cinco sentidos.

Nos Jogos de Londres, alguns atletas são verdadeiros exemplos de superação ao provar que não ficam no fim da fila. O sul-coreano Dong Hyun Im, por exemplo, bateu o primeiro recorde mundial nas Olimpíadas deste ano, na prova classificatória individual do tiro com arco, mesmo sendo considerado clinicamente cego em seu país.

O atleta de 26 anos enxerga 20% pelo olho direito e apenas 10% pelo esquerdo. Mas consegue, a cerca de 70 metros, identificar as cores dos alvos onde deve atirar. De acordo com seu diagnóstico, Hyun Im precisa estar dez vezes mais perto dos objetos para enxergá-los da mesma forma que uma pessoa com visão perfeita. "As linhas do alvo ficam borradas e as cores parecem mergulhadas em um tanque com água", explicou ele.

Na sexta-feira 27, o sul-coreano fez 699 pontos de um máximo de 720 (72 setas), à frente de seus compatriotas Kim Bubmin (698) e Oh Jin Hyek (690). O trio levou medalha de bronze por equipe na prova. O recorde de Hyun Im bateu o anterior, de 696 pontos, marcado em 2 de maio deste ano por -- vejam só -- ele mesmo em Antália, na Turquia.

O atleta tem ao todo 11 medalhas de ouro conquistadas em campeonatos do mundo todo. Dessas, duas são olímpicas, recebidas em 2004 (Atenas) e 2008 (Pequim), por equipe. Com as novas marcas, somadas à sua dificuldade visual, o que o fez tornar conhecido no mundo todo, Hyun Im ganha um lugar especial no ranking do Lord's Cricket Ground -- casa das partidas de críquete da capital inglesa, mas que abriga a prova de tiro com arco durante os Jogos.

Já a mesatenista Natalia Partyka, que completou 23 anos no dia da abertura dos Jogos, se considera de tal forma à altura de suas competidoras que faz questão de amenizar o fato de ter apenas uma parte do braço direito. "Para mim, [a deficiência] não é nada. Eu estou jogando como as outras, estou fazendo os mesmos exercícios. Temos os mesmos objetivos e os mesmos sonhos e eu posso jogar como elas. Fico um pouco entediada com as perguntas constantes sobre a deficiência", desabafou a polonesa.

Natalia estreou com vitória em Londres, derrubando a dinamarquesa Mie Skov, mas foi derrotada na segunda rodada pela holandesa Jie Li. Apesar de já ter encerrado sua campanha olímpica, a mesatenista ainda disputará a Paraolimpíada -- umas das poucas atletas a participar das duas competições -", pela qual é bicampeã.

A polonesa não impressiona apenas o público por disputar de igual para igual com atletas sem deficiência, mas seus próprios adversários. Natalia é conhecida por jogadas de esquerda certeiras, apoiando primeiro a bola no braço direito. Sobre o saque, ela acredita não ter "nada de especial". "Eu entendo que a forma como saco possa surpreender, mas para mim não há nada de especial. Eu levo a bola para a direita e com a esquerda, eu saco", explicou, de forma simples.

A mesatenista definitivamente gosta de ser destaque em números. Em 2000, foi a atleta mais jovem a participar de uma Paraolimpíada, em Sidney, quando tinha apenas 11 anos. Quatro anos depois, em Atenas, ganhou o ouro pelo individual na competição e a prata por equipe. Em Pequim 2008, ficou também em primeiro por equipe. Ela ocupa a 68ª posição no ranking mundial feminino de tênis de mesa e a segunda em seu país. Seu sonho é ficar no top ten. "Tenho muito a aprender e trabalhar duro. Não cheguei ao meu ponto mais alto. Sei que tenho desvantagens por minha deficiência, mas não penso nisso. Todos querem me vencer e eu quero vencê-los também", diz Natalia, otimista.

Outro adorador de recordes, que faz história em Londres, é o sul-africano Oscar Pistorius, primeiro biamputado a disputar uma olimpíada de igual para igual com atletas sem deficiência. Conhecido como o corredor sem pernas mais rápido do mundo, Pistorius compete na prova dos 400m e no revezamento 4x400m, e começa a viver, neste sábado 4, seu sonho olímpico. Atualmente, o atleta é vice-campeão em seu país e dono de quatro medalhas de ouro conquistadas em Jogos Paraolímpicos.

Quando recebeu a notícia de sua convocação para Londres pelo Comitê Olímpico da África do Sul, Pistorius disse ser "um dos dias de maior orgulho" de sua vida. Afinal, uma polêmica ronda suas pernas biônicas -- próteses de fibras de carbono --, que usa para correr e com as quais compete desde 2007. Naquele ano, chegou até a ser banido pela Federação Internacional de Atletismo, que considerou que os aparelhos lhe rendiam uma vantagem injusta diante dos adversários.

Sem qualquer tipo de deficiência, mas com exemplo de superação quase ou tão admirável quanto os dos atletas citados é a atiradora Nur Suryani Mohamed Taibi, primeira mulher em seu país, a Malásia, a buscar uma medalha nas Olimpíadas. Isso não é tudo. Ela fez sua viagem a Londres -- que durou 12 horas -- e competiu no oitavo mês de gravidez.

Sua eliminação na fase classificatória do rifle de ar comprimido de 10m fez esvair-se o sonho olímpico da Malásia, que tem apenas quatro medalhas em olimpíadas, conquistadas todas no badminton. Para a atleta de 29 anos, no entanto, apesar de o sonho ter durado pouco, o feito comprova a outras mulheres grávidas que elas podem fazer muitas coisas.

Prova da valentia da atleta é sua reação ao comportamento das pessoas que eram contra -- ou apenas se preocupavam -- com sua participação na disputa. "Algumas pessoas dizem que sou louca. Outras, que sou muito egoísta. Mas eu só ignoro o que elas dizem". Nur conta que, antes de atirar, costumava conversar com sua filha para que ela ficasse quieta durante a prova.

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