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Governo do DF reconhece e amplia proteção às religiões africanas

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Em cerimônia no Museu da República, o governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg, assinou na quinta-feira (3) a adesão ao Sistema Nacional de Promoção da Igualdade Racial (Sinapir) e um decreto determinando que, a partir de hoje, todos os formulários, questionários e levantamentos da administração pública distrital passem a considerar raça, cor e etnia.

Segundo o governador, o decreto e a adesão ao Sinapir ampliam a proteção das populações e dos praticantes de religiões de matriz africana. “É fundamental que o Poder Público saiba onde estão os terreiros para promover a segurança deles”, afirmou Rollemberg.

A norma também permitirá o desenvolvimento de metodologias de enfrentamento e combate ao racismo no DF. Conforme o governador, a ferramenta consolida as políticas públicas de promoção da igualdade racial e redução das desigualdades.

Museu Nacional, Complexo CUltural da República, Brasília, DF, Brasil 3/5/2018 Foto: Tony Winston/Agência Brasília.Todos os formulários, questionários e levantamentos no âmbito da administração pública distrital passam a considerar raça, cor e
O decreto assinado pelo governador determina que todos os formulários, questionários e levantamentos da administração pública distrital passam a considerar raça, cor e etnia – Tony Winston/Agência Brasília

Na mesma solenidade, a Fundação Palmares lançou o Mapeamento dos Terreiros do Distrito Federal. Conforme o levantamento, foram identificados 330 locais de umbanda e candomblé na região.

Coordenado pelo pesquisador Rafael Sanzio, da Universidade de Brasília (UnB), o mapeamento objetiva legitimar as manifestações dos grupos como exercício de cidadania, além de contribuir para o combate aos ataques motivados por intolerância religiosa.

De acordo com o presidente da Fundação Palmares, Erivaldo Oliveira da Silva, essa intolerância é fruto da ignorância. “Nas escolas, estudamos o cristianismo, o judaísmo e até o islamismo. Crescemos com preconceito, achando que nas religiões de matriz africana se produzem coisas que não se deve. No entanto, nelas se fala de paz, amor e preservação da natureza”, afirmou Erivaldo.

Para evitar esse tipo de crime, o governo local anunciou nesta quinta-feira a adesão ao Sistema Nacional de Promoção da Igualdade Racial e criou a Delegacia de Repressão aos Crimes de Intolerância do DF.

Iniciada em 2016 e encerrada na metade do ano passado, a pesquisa revelou que apenas 12,2% dos pontos encontram-se em áreas rurais. Apurou ainda que a cidade com mais praticantes é Ceilândia, onde estão 43 terreiros (18,6%). Planaltina aparece em segundo lugar, com 25 pontos de celebração (10,8%). Em Samambaia, Gama, Santa Maria, Sobradinho I e Sobradinho II foram reconhecidos, em média, 15 terreiros em cada uma.

Doutor e professor titular do Departamento de Geografia da UnB, Rafael Sanzio informou que a ideia foi tornar os terreiros “visíveis” e facilitar a canalização de políticas públicas que atendam às necessidades do segmento.


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