Economia & Política Notícias

Governo grego diante de 'escolha impossível'

Uma reunião emergencial sobre a crise da dívida da Grécia terminou sem acordo na quarta-feira (24), após credores internacionais terem recusado as propostas do premiê grego Alexis Tsipras.

O premiê criticou a recusa, alegando que já foram aceitos termos semelhantes propostos por outros países que negociaram pacotes de resgate. Tsipras deu a entender que os credores não querem um acordo no caso da Grécia, e sim acuar o governo grego.

O impasse levou os ministros da zona do euro a encurtar a reunião, que deve ser retomada na quinta-feira. Mas Tsipras continuou reunido com integrantes da Comissão Europeia, do Banco Central Europeu e do FMI (Fundo Monetário Internacional), o trio que avalia suas propostas.

Se não houver acordo, Tsipras se verá diante de uma encruzilhada, entre as promessas que fez a seus eleitores e os compromissos que os credores insistem que ele respeite, explica o enviado da BBC News a Bruxelas, Chris Morris.

A Grécia tem de pagar 1,6 bilhão de euros ao FMI até o final do mês, ou enfrentará a moratória e uma possível saída da zona do euro.

Para pagar esse montante, Atenas precisa que seus credores liberem uma parcela do pacote de resgate ao país.

Tsipras havia proposto a credores aumentar impostos sobre empresas e sobre fortunas para aumentar sua arrecadação, mas o FMI defende que o país corte mais gastos – algo que o premiê grego rejeita fazer.

Os credores argumentam que o aumento de impostos dificultará o crescimento econômico grego e defendem mais cortes em aposentadorias e em subsídios.

Reestruturação

As negociações vão além da questão orçamentária: os gregos exigem também que se discuta a reestruturação da dívida, ou seja, mudanças nos termos das cobranças para facilitar ou reduzir os pagamentos.

Uma proposta nessa linha consiste em transferir 27 bilhões de euros da dívida grega ao fundo permanente de resgate da zona do euro, que oferece taxas de juros mais baixas e termos de pagamento mais facilitados.

Eleito com uma plataforma antiausteridade em janeiro, o partido de Tsipras, o esquerdista Syriza, defende o perdão de grande parte da dívida grega. Tsipras teve de recuar em algumas promessas de campanha e agora pode ter dificuldades em convencer seus correligionários a apoiar um novo acordo com os credores.

Se Tsipras voltar para casa com um acordo que se mostre impopular entre os gregos mas, ao mesmo tempo, conseguir reduzir o sufocante peso da dívida sobre o país, ele terá mais chances de sucesso internamente, explica Morris.

Nessa questão há mais sintonia com o FMI, mas menos com o Banco Central Europeu e diversos outros países da zona do euro, que nesta quarta-feira rejeitaram a discussão sobre reestruturação da dívida até que a Grécia implemente as medidas exigidas pelo pacote de resgate.

Tsipras tem dito publicamente que os credores parecem não querer ceder propositadamente, ecoando críticas do partido Syriza de que os negociadores estariam determinados a colocar o premiê em uma posição “impossível” de ser resolvida: se ele levar o acordo à votação no Parlamento grego e perder, será forçado a renunciar. E teria de levar consigo o único governo esquerdista radical do continente.


Talvez você também goste