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Nigéria: polícia proíbe protestos contra sequestro de jovens


Os ativistas que pedem a libertação de mais de 200 adolescentes sequestradas pelo grupo islamita Boko Haram no dia 14 de abril em uma escola de Chibok, no nordeste do país, se dirigiram nesta terça-feira a um tribunal da Nigéria para protestar contra a proibição de se manifestar. O delegado de Abuja, Joseph Mbu, anunciou no final da noite de segunda-feira, 2, que a realização das manifestações, que originaram o movimento “Bring back our girls”, estão proibidas. Na semana passada, as ativistas do movimento “Bring back our girls” foram atacadas por manifestantes do grupo “Release our girls”. Segundo a oposição, a ação foi impulsionada pelo governo do presidente Goodluck Jonathan para deslocar o foco dos protestos do sequestro para os fundamentalistas do Boko Haram, informou a Agência Nigeriana de Notícias. O presidente da Nigéria pediu aos manifestantes que protestem contra a seita islâmica e não contra o governo, muito criticado por sua incapacidade para localizar e resgatar as menores, apesar da ajuda internacional que está recebendo. Enquanto isso, a líder do movimento “Bring back our girls”, a ex-ministra de Educação Oby Ezekwesili, criticou o “excesso de zelo” da polícia de Abuja. “Nosso movimento é legítimo e legal e não pode ser detido pela polícia, cuja responsabilidade é fazer cumprir a lei, não traí-la”, disse Ezekwesili. O movimento #Bring Back Our Girls nasceu nas redes sociais da indignação internacional pelo sequestro e gerou manifestações em todo o mundo. O grupo Boko Haram (“A educação ocidental é um pecado”, em língua hausa), que desde 2009 luta no norte da Nigéria para impor a criação de um Estado islâmico, disse estar disposto a libertar as adolescentes em troca de seus membros detidos. Das 276 sequestradas, 219 seguem cativas e vários países colaboram em sua busca. Desde que a polícia matou em 2009 o então líder e fundador da organização, Mohammed Yousef, os radicais mantêm uma sangrenta campanha, que deixou mais de quatro mil mortos. Com informações da AFP e EFE.


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