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Novo tratamento pode ter curado um segundo paciente do HIV

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O jornal norte-americano The New York Times publicou nesta terça-feira (5) que um segundo paciente estaria curado do vírus HIV. O periódico citou um estudo que será publicado na revista Nature e explicou que o paciente foi submetido a um tratamento que, 12 anos atrás, fez com que uma pessoa fosse curada do Vírus da Imunodeficiência Humana.

De acordo com os cientistas citados pelo NYT, o relatório dá força à ideia de que é possível criar uma cura para a doença, mas vários obstáculos precisam ser ultrapassados antes que ela possa ser desenvolvida e aplicada de forma ampla.

O tratamento bem-sucedido envolveu transplantes de medula óssea realizados em pacientes infectados com o vírus. No entanto, os transplantes foram feitos para tratar o câncer, mais especificamente a leucemia, dos pacientes e não a infecção causada pelo microrganismo.

Devido aos riscos e efeitos colaterais associados a esse tipo de procedimento, muito provavelmente esse tratamento não será aceito como forma definitiva para a cura do HIV, mas há drogas que estão disponíveis para controlar a infecção. O que os cientistas acham promissor nesse procedimento é o potencial para substituir as células infectadas por células modificadas e imunes para resistir ao retrovírus.

Falando ao jornal, a doutora Annemarie Wensing, virologista do Centro Médico Universitário de Utrecht, na Holanda, diz que isso dará esperanças às pessoas e a ideia de que a “cura não é um sonho”. A Dra. Wensing foi uma das líderes da equipe de cientistas europeus que estudou transplantes de células-tronco para tratar a infecção pelo vírus.

Apoiada pela organização americana de pesquisa sobre a AIDS AMFAR, a organização IciStem é o segundo grupo de cientistas a curar um paciente. Doze anos atrás, na mesma conferência, um médico alemão descreveu o uso de tratamentos baseados no transplante de medula óssea para curar um paciente que estava sendo tratado de leucemia. Todavia, ele havia constatado que esse procedimento também curou o paciente do vírus causador da AIDS.

Depois desse caso, vários médicos tentaram replicar os resultados, obtendo pouco ou nenhum sucesso, pois os pacientes acabavam morrendo devido ao câncer ou o vírus retornava quando eles paravam de tomar os medicamentos.

O ponto-chave do tratamento depende do uso de células modificadas que possuem uma variante da proteína padrão CCR5. A mutação impede o HIV de infectar as células, de forma que o vírus não consiga se prender aos glóbulos brancos do hospedeiro.

É um tratamento que quase matou o primeiro paciente em que foi usado. No entanto, aparentemente nem todas as condições da primeira cura precisam ser replicadas para assegurar que uma pessoa permaneça livre do HIV após o tratamento.

O paciente mais recente estava recebendo tratamento para o linfoma de Hodgkin e, como parte de sua terapia, foi submetido a um transplante de medula óssea de um doador que tinha a mutação CCR5 em suas células. O paciente tomou uma bateria de drogas imunossupressoras como parte do tratamento e, em 2017, parou de tomar as drogas antiHIV, permanecendo livre da infecção desde então.

Apesar do sucesso, não há garantia de que o novo paciente se livrará da infecção. Ele passou por uma série de testes para verificar se o vírus havia retornado e, apesar da maioria dos diagnósticos ter apontado para um resultado otimista, um deles revelou que ele ainda seria soropositivo e, portanto, os médicos ainda estão monitorando sua situação de perto. O mais correto, portanto, é afirmar que o vírus está em remissão no organismo do paciente, e ele só poderá ser considerado curado do vírus quando não houver mais qualquer indício da infecção.

Vale notar que esta não é a primeira vez que um cientista identifica a proteína CCR5 como uma potencial cura para o retrovírus. He Jiankui, por exemplo, causou uma grande polêmica por usar esse raciocínio e modificar o DNA de duas crianças para que elas ficassem imunes à infecção. Embora a pesquisa do Dr. He tenha sido prematura e condenada a nível global, empresas privadas e pesquisadores estão buscando terapias genéticas para desenvolver um tratamento.

O NYT observa, no entanto, que a terapia de CCR5 que está sendo desenvolvida só será eficaz em cerca de metade dos pacientes, pois a outra metade continuará vulnerável ou suscetível à infecção pelo fato de o vírus poder usar uma proteína diferente para infectar o organismo.

Fonte: Canaltech


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