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Apesar de dívidas, Corinthians rejeita shows dentro da Arena

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Já é costume durante as entrevistas no Corinthians . Os jogadores não só precisam falar do desempenho em campo como também dos direitos de imagem atrasados. Compromisso prioritário da gestão Roberto de Andrade desde o primeiro dia, o clube tenta buscar receitas para equacionar os problemas. Essa é a missão de Marcelo Passos, diretor do marketing, que não esconde que corre atrás de valores para sanar as “dores de cabeça”. Shows? São uma possibilidade. No entanto, só se for fora do gramado.

“A primeira coisa que eu combinei com o Roberto de Andrade foi que o Corinthians tinha que fazer um planejamento de curto e um de longo prazo para a marca. De curto pois o Roberto tem uma demanda, que não é segredo para ninguém, de gerar receita o mais rápido possível para honrar as dívidas e os compromissos que o clube tem com os próprios jogadores e como um todo. O marketing tem um pouco essa responsabilidade de gerar oportunidades para novas receitas”, comentou Marcelo, em entrevista exclusiva ao Terra .

Mesmo com a necessidade de renda em curto prazo, não é do interesse do clube usar a parte interna da Arena Corinthians para grandes eventos. A diretoria ainda quer manter a ideia original do estádio, que é de ser apenas um campo para futebol , mas isso não significa que o marketing alvinegro já tenha descartado a realização de shows em Itaquera, por exemplo.

“Diferente de outras arenas, a do Corinthians só vai ter futebol no gramado. Não vai ser usada para um show ou qualquer outro tipo de atividade. Porém, se você olhar para o prédio Oeste, onde ficam esses camarotes que estamos comercializando, na parte interna existem áreas onde você pode fazer feiras, congressos de empresa, workshops, convenções, casamentos… E a gente tem no lado externo um estacionamento que é usado em dias de futebol que é uma área que poderia estar recebendo shows para mais de 30 mil pessoas, por exemplo”, afirmou o diretor.

Confira a entrevista exclusiva concedida ao Terra:

Patrocínios contra as dívidas

A dívida dos direitos de imagem chega até a sete meses com alguns. O clube havia prometido quitar tudo até 1° de maio, mas não honrou a palavra. O plano era usar um empréstimo bancário para acertar com os jogadores, mas houve demora na aprovação por parte do banco credor. “A gente está no mercado buscando patrocínio exatamente para tanto o patrocinador usar este ativo que o Corinthians tem forte: a torcida, a marca, um time bom, e a gente conseguir equalizar a dívida, para poder trabalhar um pouco mais tranquilo no mercado sem elas para atrapalhar”, disse Marcelo.

Shows dentro Arena

Em julho vence a primeira parcela de pagamento da Arena Corinthians, no valor de R$ 100 milhões. O planejamento inicial era que essa dívida fosse paga com o arrecadado de bilheteria desde a abertura do estádio, mas isto dificilmente será cumprido. O clube terá uma equipe de marketing com foco apenas para levar eventos a Itaquera, mas não haverá shows dentro do estádio, apenas nas estruturas internas ou no estacionamento.

“O Andrés (Sánchez, ex-presidente do Corinthians) sempre deixou isso muito claro: a Arena é projetada efetivamente apenas para jogos de futebol. Acontece que quando a gente fala que uma arena só vai ter jogo de futebol, ela literalmente fica muito restrita no ponto de vista de oportunidades de trazer eventos”, comentou o diretor de marketing, explicando a escolha por usar a estrutura interna da Arena para buscar renda.

“A gente está começando a se planejar para a ter uma equipe de marketing dentro da Arena, responsável por correr atrás de eventos (alternativos), fazer contatos com as empresas. O espaço, além de ser muito bonito, foi inteiro desenhado para receber esse tipo de evento. É um dos mais modernos que temos na cidade”, completou.

Marketing

No momento, o Corinthians conta apenas com o patrocínio da Caixa, avaliado em R$ 30 milhões. O clube ainda busca marcas para a manga, omoplata e calção. O Palmeiras , por exemplo, terá lucro estimado em R$ 50 milhões somando todos os patrocínios de camisa. A possibilidade de nomes pontuais para uma renda de curto prazo não agrada muito o marketing corintiano, que busca a fidelização a longo prazo entra marcas e clube.

“A gente está com o departamento de marketing estruturado. A gente decidiu fazer um evento que aconteceu na Arena no dia 16, dia do jogo contra o San Lorenzo. Fizemos o evento e apresentamos esse projeto todo aos empresários. A gente considerou um sucesso porque foram 900 pessoas, gente do mercado, e deu para passar ali uma imagem importante”, explicou Passos.

Sócio-torcedor

O clube anunciou em abril a reestruturação do Fiel Torcedor. O programa lucrou apenas R$ 2 milhões em 2014, contra R$ 10 milhões anunciados pelo rival Palmeiras no mesmo período. Um dos atrativos para o novo plano é o início da venda das cadeiras fixas no setor Oeste da Arena. Na última terça, o clube anunciou ultrapassou o número de 100 mil associados.

O dinheiro de quem adquirir um assento cativo vai ao fundo de pagamento do estádio, mas ao mesmo tempo todos que fecharem contrato terão também o Fiel Torcedor. Toda renda com o plano irá diretamente ao Corinthians, que também anunciou um plano de sócio-torcedor mais barato, com mensalidade de R$ 9, voltado a quem não mora em São Paulo.

“Nesse sentido das cadeiras, esse dinheiro que a gente vai juntar é para remunerar o fundo. Mas, assim que as pessoas compram, fazem parte do Fiel Torcedor. A mensalidade que eles pagam vai diretamente ao clube. Isso entra naquele bolo de receita a curto prazo que a gente está tentando gerar para honrar os compromissos”, explicou Marcelo.

Naming Rights

O Corinthians luta para conseguir fechar um acordo de R$ 400 milhões em 20 anos, mas não foi capaz de concluir no prazo estipulado. O ex-presidente Andrés Sánchez, responsável pelo negócio, negocia o nome da Arena com com quatro empresas.

“Quando você vai ao mercado, além de ser um valor alto, é muito complicado você ter um executivo ou grupo que tenha autonomia para poder assinar um cheque desse tamanho e com o prazo que normalmente é fechado, algo em torno de 20 ou 30 anos. Acho que a dificuldade está nessas coisas. E para botar um tempero especial nessas negociações que a gente tem feito, ainda vivemos um momento de macroeconomia que não ajuda muito, que deixa a maioria dos empresários um pouco inseguros com o momento econômico que o Brasil e o mundo estão vivendo. Então eles dão um passinho atrás para entender o que vai acontecer daqui para frente e efetivamente a gente fechar negócio”, opinou Marcelo Passos.


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