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Quarta-feira, 20 de Junho de 2012 - 10h10

A conta da eficiência energética em quatro rodas

Brasil 247
Shutterstock

Luciane Macedo _247 - Em tempos de IPI zero ou reduzido e juros de financiamento mais baixos, muitos estão aproveitando os incentivos para ter um carro zero na garagem. Quanto vai custar mantê-lo acaba virando uma questão secundária uma vez que o consumidor entende que seu poder de compra aumentou. As despesas são diversas, mas não há como ignorar uma das mais imediatas: quanto vai custar rodar com o novo veículo, ou seja, quanto ele consome de combustível. E quem quiser descobrir pelo menos uma estimativa dos gastos, antes de sair com seu 0km da concessionária, vai esbarrar em dificuldades. Ao contrário de países como Estados Unidos e Japão, onde as montadoras são obrigadas a informar quanto seus carros consomem, no Brasil, a adesão ainda é voluntária, e a falta de informação impera.

Embora o Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular divulgue, desde 2009, a eficiência energética de veículos leves, de passageiros e comerciais, a adesão das montadoras é de sua livre escolha. Aquelas que submetem veículos para avaliação devem, no entanto, colar no vidro do carro o selo do programa, para que o consumidor identifique facilmente o consumo de combustível naquele modelo. O uso da etiqueta passou a ser obrigatório este ano.

O selo do PBE Veicular é parecido com aqueles que o consumidor já está acostumado a procurar e identificar quando vai comprar uma geladeira ou um aparelho de ar condicionado, no intuito de economizar na conta de luz. Mas querer saber se um carro é econômico ou "beberrão" como um fator de decisão antes de fechar a compra ainda é uma prática pouco disseminada entre nós. Uma pesquisa do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) entre 511 associados constatou que 68% deles não sabiam que poderiam escolher um carro levando em conta quanto ele gasta de combustível.

Entre os dez veículos mais vendidos no ano, até 15 de junho, segundo o ranking nacional da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), quatro modelos de duas montadoras não constam do PBE Veicular. Entre os 17 com melhor eficiência energética, os que receberam selo A na edição 2012 do programa, apenas três estão na lista dos mais vendidos. Veja, abaixo, uma estimativa dos gastos, com álcool e gasolina, entre os mais vendidos que aderiram ao PBE Veicular e foram avaliados pelo Inmetro.

Oito montadoras participaram da edição 2012: Fiat, Ford, Honda, Kia, Peugeot, Renault, Toyota e Volkswagen. O consumo de combustível foi avaliado em 105 versões de 151 modelos, nas categorias subcompactos, compactos, médios, grandes, carga derivado, comercial e fora-de-estrada, SUV (sport utility vehicle) ou utilitário desportivo e minivans -- estas duas últimas, estreantes. Assim como o selo A atesta a melhor eficiência energética na categoria, o selo E é a outra ponta da escala, para o menos eficiente.

O método do Inmetro para auferir o gasto de combustível é o mesmo usado em países com programas similares de eficiência energética veicular, entre eles EUA, Japão, Austrália, China, Canadá e membros da União Europeia. Nos EUA, onde o programa existe desde 1975, as montadoras são obrigadas a aderir, e o consumidor pode, com muito mais facilidade, usar o gasto com combustível como fator relevante a determinar qual carro ele terá na garagem. O mesmo acontece no Japão e na China, que medem a eficiência energética de seus automóveis desde 1998 e 2005, respectivamente.

Todas as edições do PBE Veicular podem ser encontradas no site do Inmetro. Mas quem tentar descobrir estas informações nos sites das montadoras ou na hora da compra vai esbarrar em falta de informação e despreparo dos vendedores nas concessionárias, constatou o Idec.

Na opinião do instituto, não é à toa que o motorista é desinformado: se quem vende não considera o consumo de combustível como um diferencial importante na concorrência de mercado, quem compra também tende a ignorá-lo. "Não se agrega valor ao melhor produto. Ficam todos, produtos bons e ruins, no mesmo patamar", comenta Paulo Saldiva, médico do Laboratório de Poluição Atmosférica da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), na edição de maio da revista do Idec.

Pesquisadores do instituto desbravaram os sites de 14 montadoras que atuam no Brasil em busca de informações. Nenhum deles informa a eficiência energética dos veículos aqui comercializados. Já nos sites globais das montadoras ou em seus países de origem, apenas a JAC não traz nenhuma informação sobre eficiência energética. Todas as outras, ainda segundo o Idec, informam o consumo de combustível em pelo menos alguns dos modelos que estão no site (Chery, Ford, General Motors, Hyundai, KIA, Peugeot e Volkswagen) ou em todos eles (Citroën, Fiat, Honda, Nissan, Renault e Toyota).

Ao tentar saber o consumo energético em um único modelo de cada montadora através do Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC), a maioria (11 das 14 montadoras) não informou. Nas concessionárias, foi passada sempre uma média informal. "O que percebemos é o chamado 'duplo padrão': não há transparência para com o consumidor brasileiro, ao contrário do que essas mesmas empresas fazem em seu país de origem", observa Janaína Uemura, que coordenou a pesquisa do Idec.

Nos contatos do Idec com os SACs das empresas, este descaso ficou ainda mais evidente. O atendimento da Renault, que inclusive têm veículos no PBE Veicular 2012, chegou a sugerir uma busca no Google. Mas a resposta mais comum dada ao Idec foi de que o consumo de combustível é "impossível" de informar porque depende de muitos fatores. As exceções foram Chery, Honda e JAC.

Outra resposta comum nos SACs, segundo o Idec, foi de que o consumo de combustível só poderia ser informado nas concessionárias. Nesta terceira esfera de investigação, "segundo meus clientes", "mais ou menos" ou "isso varia muito" coroaram as respostas genéricas dos vendedores quando indagados sobre o gasto de combustível com apenas um modelo de veículo.

O Idec enviou as constatações para todas as montadoras, mas apenas cinco se manifestaram após a conclusão da pesquisa. Fiat, Renault e Volkswagen disseram ao instituto que todos os seus modelos que constam do PBE Veicular já ostentam o selo do programa. A KIA, que também aderiu ao PBE Veicular, disse que seu site estava em processo de reformulação. A importadora representante da JAC no Brasil informou que o site brasileiro tem "informações claras e precisas", e que não pode ser confundida com a montadora chinesa.

Quanto custa rodar 500km na cidade
Gastos com combustível entre os veículos mais vendidos em 2012

1º Volkswagen Gol
Versão: Ecomotion
Eficiência energética: A
Gastos com álcool e gasolina: R$ 107,08 e R$ 108,83

2º Fiat Uno
Versão: Mille Fire Economy
Eficiência energética: A
Gastos com álcool e gasolina: R$ 101,06 e R$ 102,83

3º Fiat Palio
Versão: Fire Economy
Eficiência energética: B
Gastos com álcool e gasolina: R$ 112,43 e R$ 107,04

4º Volkswagen Fox
Não incluído pela montadora no PBE Veicular 2012

5º GM Celta
Não incluído pela montadora no PBE Veicular 2012

6º Ford Fiesta
Versões: Sedan e Hatch
Eficiência energética: B
Gastos com álcool e gasolina: R$ 119,93 e R$ 118,72

7º GM Corsa Sedan
Não incluído pela montadora no PBE Veicular 2012

8º Renault Sandero
Versões: Authentique e Expression
Eficiência energética: A
Gastos com álcool e gasolina: R$ 112,43 e R$ 107,93

9º Volkswagen Voyage
Versão: 1.0 L
Eficiência energética: B
Gastos com álcool e gasolina: R$ 121,55 e R$ 120,92

10º GM Cobalt
Não incluído pela montadora no PBE Veicular 2012

* Ranking nacional de vendas em 15 de junho. Ranking de eficiência energética segundo PBE Veicular 2012. Custos com base no preço médio de álcool e gasolina na cidade de São Paulo, semana de 3 a 9 de junho. Entre os modelos mais vendidos com mais de uma versão, foram consideradas as versões com maior eficiência energética
Fontes: ANP, Fenabrave e Inmetro

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