Comportamento

Certidões de óbito retificadas de vítimas da ditadura são entregues

Feed Editoria Radioagência Nacional.

Neste 31 de março, dia que marca os 62 anos do golpe militar de 1964, aconteceu a quarta entrega de certidões de óbito retificadas de vítimas da ditadura militar. A solenidade é realizada pelo Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania e pela Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos e ocorreu no Salão Nobre da Reitoria da Universidade Federal da Bahia. 

O total de documentos aptos para entrega é de 27 certidões de óbito, que se referem a pessoas nascidas na Bahia, entre elas Maurício Grabois, pai da professora e ativista Victória Grabois. Ela perdeu o pai, o irmão e o marido em 1973 – a certidão do irmão já foi entregue em São Paulo e ela deve receber os documentos do pai e do marido posteriormente em cerimônia no Rio de Janeiro, onde mora. Victória Grabois conta que a entrega das certidões, com a causa de morte por ação violenta do Estado, ainda é pouco para quem procura resposta há mais de 50 anos. Ela busca justiça com a abertura dos arquivos das Forças Armadas.

“Eu quero o cumprimento da sentença e eu quero que se abra os arquivos da ditadura. A gente tem essas notícias, mas a gente precisa de notícias oficiais do Estado. Que o Exército, a Marinha a Aeronáutica, as Forças Armadas, abram os arquivos da ditadura e que cumpram as sentenças que estão saindo agora, principalmente, as sentenças do Araguaia”.  

Victória Grabois é uma das fundadoras do Movimento Tortura Nunca Mais. Ela relembra que a Corte Interamericana de Direitos Humanos condenou o Brasil, em 2010, pelo desaparecimento forçado de pessoas na guerrilha do Araguaia, no sudeste do Pará, entre 1972 e 1975. A Corte Interamericana determinou que os agentes envolvidos nas graves violações de direitos humanos sejam investigados, processados e punidos criminalmente. O país também tem o dever de elucidar as circunstâncias das mortes. Victória Grabois, que hoje tem 82 anos, ressalta a importância de a justiça ser feita enquanto os familiares ainda estão vivos. 

“A última mãe que estava viva tinha 103 anos e morreu à coisa de dois meses. Não temos mais pais, agora temos irmãos. Os irmãos também estão desaparecendo. Semana passada perdemos o Djalma Oliveira, um grande lutador. Foi uma perda inestimável, era um dos familiares que mais lutaram pelo esclarecimento da morte dos nossos desaparecidos”.

A entrega das certidões de óbito retificadas cumpre resoluções da Comissão Nacional da Verdade e do Conselho Nacional de Justiça, que determinam a correção da causa de morte para ação violenta do Estado. Entre os documentos aptos a serem entregues na cerimônia, em Salvador, estão os de figuras conhecidas que foram retratadas em filmes, como o ex-militar Carlos Lamarca e Stuart Edgar Angel Jones, filho da estilista Zuzu Angel. 

*Com produção de Bel Pereira


Sarah Quines* – repórter da Rádio Nacional , Feed Editoria Radioagência Nacional.

Fonte: Agencia brasil EBC..

Tue, 31 Mar 2026 20:10:00 -0300