Comportamento

Lula: não precisaria ter fome, se houvesse bom senso dos governantes

Feed Editoria Radioagência Nacional.

Com mais de 600 milhões de pessoas passando fome, no mundo, o dinheiro que financia conflitos entre países poderia resolver o problema, se houvesse “bom senso dos governantes”. Essa é a avaliação do presidente Lula, que criticou a atuação do Conselho de Segurança da ONU diante da insegurança alimentar global.  

 “Não precisaria ter fome, se houvesse o bom senso dos governantes do mundo. Eu quero começar fazendo um apelo aos nossos presidentes responsáveis pelo Conselho de Segurança, como membros permanentes da ONU. São apenas cinco pessoas, que poderiam fazer uma teleconferência, pra ninguém ser atacado por drone a noite, pra fazer uma discussão se o que vai resolver o problema da humanidade é mais guerra ou mais paz. Se é a produção de mais arma ou o aumento da distribuição da distribuição e da renda do povo, pra gente ter a alimentação necessária”.

A declaração foi feita nesta quarta-feira, 4, durante a abertura da Conferência Regional da FAO, Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura, para a América Latina e o Caribe. O presidente Lula afirmou que o problema não é exterminado do planeta, por falta de compromisso com os que têm fome.  

“Famintos não protestam, eles não estão organizados em sindicatos, eles estão longe, muitas vezes, do centro de poder, não conseguem nem fazer passeata. Então, as pessoas não se preocupam. É por excesso de responsabilidade, falta de compromisso, que a gente não consegue exterminar a fome do planeta terra”.

Ao receber ministros e ministras de mais de 20 países da América Latina e do Caribe, Lula defendeu o aumento no financiamento público para a produção de alimentos pela agricultura familiar.  

“A FAO reconheceu que nós acabamos com a fome outra vez. Ninguém quer produzir só pra comer, é preciso ensinar as pessoas que eles podem produzir e ganhar dinheiro produzindo. E o papel do estado de crédito pra financiar. Por que que os grandes têm tanto financiamento e a gente não pode dar também pros pequenos. É apenas uma decisão”.

O copresidente da Conferência da FAO é o ministro brasileiro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Paulo Teixeira. Durante a conferência, no Itamaraty, ele também defendeu que “investir na agricultura familiar é decisivo no combate à fome”. 

“Agricultura familiar é parte essencial da solução para as grandes crises do nosso tempo. Da fome, da pobreza e do meio ambiente. Por isso, é fundamental apoiar a agricultura familiar, com políticas de acesso a terra, crédito, assistência técnica, extensão rural, compras públicas de incentivo ao corporativismo e do fortalecimento da autonomia econômica das mulheres, dos jovens, dos povos e comunidades tradicionais”.

Em julho do ano passado, o Brasil deixou de fazer parte, mais uma vez, do Mapa da Fome, segundo relatório da FAO. O Diretor-Geral da organização, Qu Dongyu, destacou os avanços, também, em outros países da América Latina, graças a políticas que ele classificou como “extraordinárias”.  

Segundo o Diretor da FAO, apesar dos progressos, ainda existem desafios importantes como os altos preços dos alimentos, os riscos climáticos e a redução no financiamento para produção alimentícia.  


Sayonara Moreno – repórter da Rádio Nacional , Feed Editoria Radioagência Nacional.

Fonte: Agencia brasil EBC..

Wed, 04 Mar 2026 16:47:00 -0300