Comportamento

Marielle e Anderson: emoção marca fim do julgamento de mandantes

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Familiares, políticos e amigos se emocionaram ao fim do julgamento, no Supremo Tribunal Federal, nesta quarta-feira (25), que condenou os mandantes dos assassinatos da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes. O crime ocorreu em março de 2018.

Marinete da Silva, mãe de Marielle, destacou os anos de luta por justiça e o papel das instituições democráticas nesse processo:

“A gente sai daqui com o coração acalentado. Acho que eu, como mãe, depois de viver esses anos — já fiz 74 anos e estou nessa luta incansável esses anos todos por trazer a Marielle, trazer o Anderson, trazer esse legado, para que o mundo saiba quem foi a minha filha e por que isso tudo aconteceu. A gente tem hoje uma resposta, e eu agradeço muito, muito profundamente. Dizer que é possível, sim, a gente acreditar em uma instituição séria, com dignidade, com respeito, com uma democracia plena. Porque, se não fosse isso, nós também não estaríamos aqui.”

 A ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, irmã de Marielle, afirmou que a condenação é um recado para a parcela da sociedade que minimizou o assassinato da vereadora:

“Todas as vezes que a gente falou de justiça por Marielle e Anderson, todas as vezes que nós falamos de quem mandou matar e quem matou, as pessoas debochavam da gente. Eu cheguei poucos minutos depois do assassinato da minha irmã no local do crime, e eu jurei ali mesmo que eu ia honrar o sangue da minha irmã, e assim a gente está fazendo. Então, antes de falarem ou pensarem qualquer coisa contra a índole, o caráter ou a memória de Marielle, vão ter que lidar com os fatos. E os fatos hoje são esses que vocês viram aqui: todas as condenações, os mandantes sendo condenados, mas, acima de tudo, a memória da família, o legado de Marielle e a luta, que, para a gente, não para aqui.”

Agatha Arnaus Reis, viúva do motorista Anderson Gomes, falou dos casos de violência no Rio de Janeiro e da luta contra a impunidade:

“Embora a gente veja, principalmente no Rio de Janeiro, que foi onde aconteceu a morte deles, o cenário absurdo que se encontra de impunidade, de criminalidade, ainda há esperança, ainda há quem faça o bem, e aí sim o mal não vai sobreviver. E eu tenho fé ainda. Hoje foi a prova disso, e eu espero que alcance também muitos outros casos de muitas outras pessoas que também aguardam resposta.”

Luyara Franco, filha de Marielle, ressaltou o alívio com o fim do julgamento e a coragem das famílias em busca de resposta sobre os assassinatos:

“Acho que hoje eu queria agradecer, mas também ressaltar a coragem das nossas famílias. Porque, se a gente chegou aqui hoje, foi porque há oito anos a gente continua ecoando a pergunta de quem mandou matar Marielle, e hoje a gente sai com a resposta. Que dá para a gente minimamente um alívio, mas a gente sabe que a justiça é muito maior do que isso. Justiça passa pela indenização, pela reparação, pela não repetição. Acho que ontem completaram-se 94 anos, enfim, que a mulher pode ter o direito de ser votada e votar. Então, acho que hoje, para além disso, é uma resposta às 46.502 eleitores da minha mãe.”

Fernanda Chaves, a assessora de Marielle Franco que sobreviveu ao atentado, disse que o STF tomou uma decisão histórica no combate à violência de gênero na política:

“O Estado brasileiro hoje passa um recado de que crimes como esse, o feminicídio político, ele não é tolerado, ele não será tolerado. O Brasil responde aos brasileiros, responde ao mundo inteiro, uma pergunta que a gente se passou fazendo por oito anos, quase uma década. É muito tempo.”

A vereadora Mônica Benício, viúva de Marielle, destacou o recado político do julgamento;

“O recado político que foi colocado, muito debatido hoje no voto dos ministros e da ministra Cármen Lúcia, tem uma coisa que é muito certa: o corpo da Marielle é entendido como o corpo que é o corpo descartável. É o corpo da mulher negra, favelada, periférica, socialista. E o recado político, se acreditou que não ia alcançar ou gerar a comoção que gerou. No dia 15 de março de 2018, o Brasil inteiro chorava, porque entendia que o que aconteceu ali era não só uma grave violação de direitos humanos, mas um atentado à democracia.”

As penas dos condenados pela participação no assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes variam de nove anos a 76 anos de prisão. Eles também deverão pagar indenização para os familiares das vítimas.


Daniella Longuinho – Repórter da Rádio Nacional , .

Fonte: Agencia brasil EBC..

Wed, 25 Feb 2026 19:57:00 -0300