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Mel de 3 mil anos que ainda dá para comer

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Arqueólogos já escavaram túmulos no Egito Antigo e encontraram potes de mel com mais de 3.000 anos de idade que estavam perfeitamente preservados e ainda comestíveis. Se você pegasse uma colher daquele mel milenar hoje, o gosto seria exatamente o de um mel atual.

Se você abrir um pote de mel de dois mil anos, ele provavelmente estará cristalizado, escuro e duro como uma pedra. No entanto, ele não está estragado. Basta aquecê-lo um pouco em banho-maria para que ele volte a ficar líquido, dourado e pronto para o consumo.

A explicação para essa “imortalidade” envolve química pura e o trabalho das abelhas. O mel não estraga por três motivos principais:

1. Quase zero de água (Baixa umidade)

O mel em seu estado natural tem pouquíssima água (cerca de 17% a 18%). Ele é essencialmente um açúcar altamente concentrado em forma líquida. Como a água é fundamental para a sobrevivência e reprodução de bactérias e fungos, a falta dela faz com que esses microrganismos sequer consigam se desenvolver. Se uma bactéria cai no mel, ela perde toda a sua água para o ambiente por osmose e morre desidratada.

2. É um ambiente extremamente ácido

O pH do mel varia entre 3 e 4,5 (aproximadamente o mesmo nível de acidez do suco de tomate ou de um vinho). Esse nível de acidez é incrivelmente hostil para os germes. A maioria das bactérias que causam o apodrecimento dos alimentos simplesmente não consegue sobreviver em um meio tão ácido.

3. O “superpoder” das abelhas

Quando as abelhas processam o néctar para transformá-lo em mel, elas adicionam a ele uma enzima de seu próprio estômago chamada glicose oxidase. Quando essa enzima entra em contato com o néctar, ela cria dois subprodutos: o ácido glucônico e o peróxido de hidrogênio — que você provavelmente conhece como água oxigenada. Esse composto funciona como uma barreira química antibacteriana natural poderosíssima.


O segredo do pote: Para que o mel dure milhares de anos, ele só precisa de uma condição: ficar bem lacrado. Como ele é higroscópico (absorve a umidade do ar com muita facilidade), se ficar exposto ao tempo, ele vai puxar água do ambiente, começar a fermentar e, aí sim, estragar. Como os egípcios e romanos guardavam o mel em potes de argila hermeticamente selados, o tempo simplesmente congelou para o alimento.

Dá para dizer que as abelhas criaram a tecnologia de conservação perfeita muito antes de a humanidade sonhar em construir a primeira geladeira!

Matéria escrita por Gabriel dos santos neves