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Caju: Descubra Verdades Surpreendentes Sobre Este Delicioso Fruto Tropical!




Imagem de giovanni sacchi por Pixabay 

O caju, além de ser uma presença marcante nas feiras, hortifrútis e supermercados, tem se tornado uma sensação nas redes sociais. Sua popularidade aumentou após aparecer em um comercial de cosméticos, pendurado de cabeça para baixo em uma amoreira.

No entanto, o caju sempre esteve envolvido em polêmicas. O poeta Vinícius de Moraes já comentou em seu Soneto ao Caju que ele é o único fruto brasileiro, mas na realidade, a estrutura brilhante e avermelhada que conhecemos como caju é chamada de pedúnculo e é considerada um pseudofruto. O verdadeiro fruto do cajueiro é a castanha, segundo a nutricionista Andréa Esquivel, presidente da Associação Paulista de Fitoterapia (APFIT).

Apesar dos detalhes anatômicos, o caju merece ser valorizado em sua totalidade. Muitas vezes buscamos alimentos estrangeiros sem conhecer a riqueza da biodiversidade brasileira, comenta a nutricionista Maísa Mota Antunes, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Existem várias espécies de cajueiros originárias da Caatinga, do Cerrado e da Amazônia. A mais popular é o Anacardium occidental. Alguns cajueiros possuem troncos tortuosos que se espalham pelo solo, formando áreas enormes. Esses exemplares se tornaram atrações turísticas nos estados do Piauí e do Rio Grande do Norte.

Do Nordeste também vem a famosa cajuína, que se tornou ainda mais conhecida através da música de Caetano Veloso. Essa bebida cristalina é considerada Patrimônio Cultural Brasileiro pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Prepará-la requer paciência, pois é necessário cozinhar a polpa e filtrar para remover os taninos. O resultado é uma bebida dourada, saborosa e sem aditivos.

Andréa menciona outro produto nordestino, o mel de caju, um xarope doce usado em tapiocas, bolos e outras delícias.

Para a nutricionista Vanderlí Marchiori, o consumo do pseudofruto in natura é uma excelente maneira de incorporar nutrientes ao cardápio. Cerca de 10% da polpa é composta por fibras solúveis e insolúveis, que têm sido associadas à proteção cardiovascular em estudos.

O caju é rico em vitamina C, por isso é recomendado consumi-lo imediatamente após o preparo para aproveitar ao máximo essa substância. Além disso, a polpa contém antioxidantes como carotenoides e compostos fenólicos, que fortalecem o sistema imunológico e protegem a pele e os cabelos.

A carne de caju também tem se destacado em pratos veganos, oferecendo nutrientes e textura em receitas como moquecas. O bagaço resultante da extração do suco, que antes era descartado pela indústria, agora pode ser transformado em produtos como hambúrgueres vegetais.

A castanha de caju tem se destacado no mercado de alimentos à base de plantas, sendo utilizada em bebidas vegetais semelhantes ao leite. É importante comparar os rótulos desses produtos, pois algumas empresas adicionam minerais como cálcio e outros nutrientes.

A castanha é rica em gorduras benéficas, vitaminas E e fitosterois, que ajudam a proteger as artérias e equilibrar os níveis de colesterol. Também contém zinco, um mineral essencial para a produção de hormônios, e arginina, um aminoácido que auxilia na recuperação muscular.

Além disso, a castanha pode ser utilizada em diversas sobremesas, biscoitos e pratos salgados, como risotos e farofas. No entanto, é importante submetê-la a um processo térmico para eliminar compostos tóxicos antes do consumo.

Existem diferentes tipos de castanhas de caju, desde as maiores e mais claras até as quebradinhas chamadas de xerém, além de grânulos e farinhas.

O maturi é uma castanha verde processada artesanalmente em poucos lugares do Nordeste. É o ingrediente principal de um prato delicioso que combina camarões, tomates, cebolas e coentro.

O caju possui inúmeras qualidades que são ainda mais evidentes durante sua temporada. É saboroso, nutritivo e acessível, afirma Maisa. Portanto, não há desculpas para não experimentar essa delícia.

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