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Sim, se misturam: protagonistas da bola têm o direito de se posicionar politicamente

Sim, se misturam: protagonistas da bola têm o direito de se posicionar politicamente - 1

Em entrevista coletiva concedida após o empate por 0 a 0 contra o ​Corinthians, o treinador do ​Santos, Jorge Sampaoli, deu uma declaração que repercutiu bastante entre os veículos de imprensa sul-americanos. Atento ao panorama político-social do continente e aos recentes episódios ocorridos no Chile – onde o povo ocupa as ruas em protesto contra o atual governo -, o treinador não se esquivou de se posicionar e endossou a luta do povo chileno.

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​​”Valorizo muito a reação do povo chileno depois de tanto tempo de opressão. É um exemplo para todos na América do Sul. Lutar contra o neoliberalismo, que deixa o povo cada vez mais pobre. Esta rebelião contra os que estão no poder que só pensam nisso. Estou orgulhoso do povo que vivi ao lado por tanto tempo”, afirmou o treinador.

Jorge Sampaoli

A fala de Sampaoli parece ‘fora da curva’ em solo brasileiro, onde as manifestações políticas contundentes não costumam (não mais) fazer parte do imaginário futebolístico. Entre discursos prontos e entrevistas cada vez mais robóticas – onde o jogador de futebol aparenta estar cada vez mais desconectado da sociedade em que vive -, chega a ser refrescante poder ver/ouvir protagonistas da bola no centro de debates que transcendem as quatro linhas.

Por vezes nos esquecemos que jogadores, árbitros e técnicos são pessoas comuns, ou seja, também são seres políticos, cidadãos. Por serem pessoas públicas, suas falas precisam ser responsáveis, respeitando sempre os princípios da democracia. Posicionamentos recentes de Felipe Melo, Roger Machado e Sampaoli estão em espectros políticos totalmente distintos, mas todos cabem em uma sociedade em que o debate democrático, e consequentemente a pluralidade de ideias, não se configuram como crime. Pelo contrário, devem ser incentivados.

Felipe Melo

Fonte: 90min


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