A recente afirmação de Elon Musk de que a inteligência artificial superará a capacidade humana em todas as frentes converte uma hipótese computacional em um roteiro econômico e social precipitado. Contudo, o verdadeiro risco dessa visão não reside no avanço técnico, mas na forte concentração do setor — onde poucas corporações controlam os modelos mais avançados — e na distribuição altamente desigual dos ganhos de produtividade. Embora a IA já revolucione a programação e a pesquisa, ela permanece dependente de infraestruturas intensivas em energia e capital, enquanto a ética, a tomada de decisão e a prestação de contas continuam sendo prerrogativas exclusivamente humanas. Para Daniela Colin, executivos e governos não devem aceitar passivamente a promessa de uma abundância espontânea, mas investir ativamente em governança, transparência e regulação para evitar que o poder econômico se afunile ainda mais. A ameaça decisiva para o futuro, portanto, não vem da tecnologia em si, mas da combinação entre previsões absolutas, concentração de poder computacional e ausência de responsabilidade coletiva.
Leia o artigo de Daniela Colin no TecMundo: https://www.tecmundo.com.br/mercado/414966-o-maior-risco-da-recente-previsao-de-musk-esta-fora-da-tecnologia.htm

