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Análise | New Super Mario Bros. Deluxe traz excelente mobilidade para franquia

Há dez anos, a Nintendo lançou para o seu console de maior sucesso o New Super Mario Bros Wii. A ideia, como o nome já diz, foi levar para a então mais recente geração da empresa uma releitura do clássico Super Mario Bros nascido lá no Nintendinho. Não só os gráficos seriam repaginados, mas o título em 2D também ganharia novidades, entre elas o suporte para o multiplayer e alguns novos power-ups, as habilidades que se pode pegar durante a fase.

Eis que, em 2012, um console a frente, a Nintendo lançou a continuação da saga: New Super Mario Bros. U, um título com basicamente as mesmas mecânicas inauguradas na versão de Wii, mas com novos personagens e mais power-ups.

Acontece que o Wii U foi um dos maiores fiascos econômicos da história da Nintendo e, com ele, vários dos grandes jogos lançados naquela geração passaram batido pelos fãs. Nada melhor do que revivê-los no Switch, não é mesmo?

É nesse contexto que New Super Mario Bros. U ganha sua versão Deluxe no mais recente videogame da Big N (e por isso leva esse nome que mais parece uma aberração). Ele traz um pacote completo de tudo que a empresa lançou sobre a franquia até agora, permitindo que se jogue de forma portátil, como é a proposta do Switch.

O que se tem aqui?

O Super Mario Bros. U foi um upgrade da versão de Wii. Com isso, a Big N adicionou novas fases e possibilidades. A começar, o jogador passou a poder escolher seu próprio Mii como boneco para andar pelos mundos em 2D.

No New Super Mario Bros. de 2009, a Nintendo apresentou basicamente duas novas power-ups. A primeira é a flor-de-gelo, capaz de congelar os inimigos, o extremo oposto da versão de fogo já conhecida dos fãs do bigodudo. Já a segunda foi o chapéu em helicóptero (chamada de Propeller Suit, na versão em inglês), que deixa o jogador pular mais alto e planar por um certo tempo.

Ambas mecânicas deram uma refrescada no modelo já batido de jogos 2D em plataforma lançados após Super Mario World do Super Nintendo. Transformando os inimigos em pedras de gelo, é possível usá-los para alcançar lugares mais altos. A roupa de helicóptero também ajuda nesse quesito.

Outro ponto apresentado lá na versão de Wii foi a colaboração/competição entre os jogadores. A proposta inicial é de que todos que estão na mesma fase (até 4 players) podem se ajudar para passar aquele nível (somente é necessário que um chegue até o final para completar). Contudo, como existe aqui um certo “fogo amigo”, a depender do ódio no coração de quem está com o controle, é possível transformar o título em um divertido multiplayer competitivo. Isso porque é possível pular na cabeça do outro, usá-lo como escada, ou até mesmo atacá-lo com um casco de forma despretensiosa e até sem querer. Logo, espere muita diversão por conta de lambanças dos mais desavisados.

Tudo isso já estava muito bem apresentado na versão de Wii, de 2009. O que o seu sucessor trouxe de novo foi um power-up e novas mecânicas com Yoshis. O poder adicionado aqui foi o da roupa de guaxinim, que tem uma função bastante semelhante com a de helicóptero. Contudo, ela permite planar mais quando se balança os controles.

Já em relação aos Yoshis, há também outra novidade. Aqui são introduzidas versões bebês desses “dinossaurinhos”. Eles são divididos em três cores, cada uma com uma função diferente, além de comer inimigos como habilidade comum. O roxo é capaz de inflar e virar um balão que leva o jogador para áreas mais altas. O azul permite soltar uma bolha que prende os inimigos e os transformam em moedas. Já o amarelo ilumina uma região escura (geralmente de fases com fantasmas) e espanta os inimigos para longe de você. Cada um deles é adicionado às fases e ajuda na hora de pegar as moedas de ouro que estão pelos mapas.

Aliás, a adição de moedas coletáveis no New Super Mario mostra que a Nintendo soube muito bem aprender com seus próprios ensinamentos. Ela deixa que o jogador faça uma escolha muito simples: passar o estágio o mais rápido possível, geralmente voando por cima dos inimigos, ou buscar todos os cantos do local para pegar as três moedas de cada fase? Você escolhe.

Todas essas mecânicas, com seus personagens, power-ups e possibilidades estão aqui nesta versão para o Switch.

Ano do Luigi?

A Nintendo anunciou que 2013 seria o ano do Luigi. A ideia era celebrar o coadjuvante mais conhecido do mundo dos games. Assim, a empresa lançaria uma série de games e versões especiais para o irmão do nosso protagonista bigodudo.

Assim, nasceria Super Luigi U, a versão de New Super Mario Bros. U com novas mecânicas e possibilidades voltadas para o coadjuvante. O ineditismo aqui está na forma de brincar com as característica de Luigi.

Conhecido por ser um medroso (isso cunhado lá em Luigi’s Mansion, do GameCube), o personagem teria de passar as fases do mundo em 2D em apenas 100 segundos, uma tentativa de fugir de seus próprios medos do perigo.

Toda essa aceleração já trazia uma nova proposta para o game e o fazia uma versão bem mais difícil do que o título original se propunha a ser. Por conta disso, a Nintendo precisou apresentar um “modo fácil” para aqueles que queriam apenas se divertir com os amigos (principalmente as crianças menos habilidosas no controle).

Título traz também versão com Luigi (Foto: Wagner Wakka/Canaltech)


Luigi U adiciona Nabit, um coelho ladrão cuja proposta é apenas dificultar ainda mais a vida de quem está jogando com um personagem comum. Na versão de Switch, ele é apresentado como um boneco voltado para uma gameplay “muito fácil”. Isso porque nenhum inimigo é capaz de acertar você quando está jogando com ele. O Nabit também não pode usar nenhum power-up, mas o jogador pode pegar todos que aparecem pela fase antes de seu amigo no multiplayer somente para atrapalhar.

Nesta versão do Luigi também é possível pular mais alto, mas o jogador tem somente 100 segundos em cada fase para terminá-la, o que pode ser bem pouco em alguns castelos mais complexos.

Todo esse conteúdo também já está no pacote lançado para o Nintendo Switch, como um segundo jogo que pode ser acessado no menu inicial.

Tem novidades?

Apesar de ser apenas uma versão de luxo que reúne tudo que a franquia lançou até agora, há também espaço para um pouco de novidade. No Switch, a Nintendo apresenta Toadette, o que seria o equivalente feminino de Toad. A personagem é apresentada como “fácil” dentro do game, pois tem uma power-up exclusiva.

A Toadette pega uma coroa que é capaz de transformá-la na Peach (não pergunte o porquê, talvez seja melhor só aceitar essa loucura). Nessa forma, o jogador é capaz de pular mais alto e também planar pelos cenários. A personagem também tem um pulo duplo e uma vida extra quando cai em um buraco na forma de Peach.

Toadette se transforma em Peach com mais habilidades (Foto: Wagner Wakka/Canaltech)

Outras coisas exclusivas da personagem são: 100 segundos adicionais para passar a fase, mais mobilidade em fases de água e movimentação menos escorregadia no gelo. Ainda, ela recebe mais vidas quando nos blocos com cogumelos. Ou seja, assim como o Nabit, é uma personagem criada para quem quer se divertir, com menos dor de cabeça.

Jogando no Switch

Vamos falar da jogabilidade no mais recente console da Nintendo. O New Super Mario Bros. U Deluxe caiu como uma luva no Switch. Como proposta multiplayer, o console já vem com dois controles de cara, fazendo com que sejam raras as vezes que você joga sozinho o título.

Os testes no Canaltech foram feitos em quatro momentos diferentes. Dois em jogatina solo (na TV e na mão) e dois em multiplayer (TV e apoiado na mesa), somente usando os joy-cons que já vêm com o console.

Primeiro, é importante ressaltar que a tela do videogame pode ser pequena para games multiplayer e com tanta informação como acontece aqui. Na jogatina solo, o aparelho no colo é suficiente para garantir a diversão, mesmo naquela telinha dele, já que é possível aproximá-la dos olhos.

Contudo, quando se passa para dividir a atenção no visor, a brincadeira se torna mais difícil, embora não seja um impeditivo. Até dois jogadores, é até fácil se expressar diante de uma tela do Switch. Para mais que isso, a recomendação mesmo é apelar para um visor maior.

Game está traduzido com português de portugal (Foto: Wagner Wakka/Canaltech)

Já com o aparelho ligado no dock, o gameplay fluiu perfeito e bonito. O gráficos estão em Full HD e trazem ambientes bem bonitos e coloridos como a Nintendo sabe muito bem fazer.

Aqui vale uma boa menção ao uso dos joy-cons divididos para jogar. Usar somente um deles (ou seja, metade do controle original) é mais que suficiente para que você passe as fases com maestria. Basicamente, o jogador só tem três botões para usar: o de pulo (no padrão colocado no A ou B), o de correr e usar power-ups de fogo e gelo (nos botões X ou Y) e o de dar piruetas com o personagem (utilizando o R ou chacoalhando o joy-con).

Sobre esta última função vale ressaltar aqui a inteligência da Nintendo em entender um problema de jogabilidade do game. Nas versões originais, o New Super Mario explorava muito mecânicas de movimento do WiiMote. Assim, era preciso balançar o aparelho para que o personagem fizesse movimentos específicos na tela.

Como a Nintendo sabe que muita gente vai jogar esta versão no colo, a opção por balançar o console inteiro pode ser um impeditivo. A solução inteligente foi colocar o botão R para fazer a função, o que funciona de forma primorosa aqui.

E o preço?

Pois bem, vamos a uma análise crítica aqui. O New Super Mario Bros. U Deluxe foi lançado a US$ 60 lá fora e R$ 250 aqui no Brasil (na loja oficial da Nintendo). Isso quer dizer que ele chega ao mercado com o “preço cheio”, como um lançamento normal da companhia. Por exemplo, ele está custando o mesmo de Super Smash Bros. Ultimate e Pokémon Let’s Go Eevee/Pikachu, ambos lançados no final do ano passado.

Mesmo que ele englobe, de certa forma, dois jogos (o original de Wii U, mais a versão Luigi U), ainda é um preço salgado para uma versão de luxo de jogos lançados há mais de 5 anos. O título é realmente uma delícia de se jogar no console e pode ser aquela boa opção para brincar com a família toda na frente da TV, mesmo com os mais novos (as possibilidades de personagens “fácil” e “muito fácil” ajudam muito nisso).

Assim, a dica é: espere o preço cair, pois mesmo que o game seja excelente, divertido e muito, mas muito bem levado para o Switch, ainda não está no nível de um jogo novo exatamente por ser apenas uma versão de luxo do game original.

Entretanto, se a mão está coçando para pegar e jogar com os pequenos e até naquelas festas com amigos, pode ter certeza de que não vai se arrepender.

Vale lembrar também que, para consoles registrados no Brasil, o título chega totalmente em português. Entretanto, calma, isso não significa que a Nintendo resolveu olhar para gente não. A tradução apresentada é para Portugal, trazendo toda sorte de palavras diferentes como “ecrã” e “prima”, no lugar de “tela” e “aperte” utilizados no Brasil. Contudo, já ajuda na hora de colocar na mão de quem não fala inglês.

New Super Mario Bros. U Deluxe foi desenvolvido e publicado pela Nintendo em 11 de janeiro de 2019. No Canaltech, o jogo foi analisado com cópia cedida gentilmente pela desenvolvedora.

Fonte: Canaltech


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