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Android é o ganha-pão de 73% dos desenvolvedores no Brasil

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Lançado há 12 anos, o sistema operacional Android é atualmente o mais utilizado em todo o mundo. Além de popularizar o acesso à internet, o sistema ajudou a expandir o mercado de aplicativos, inclusive com novas oportunidades para programadores e empresas. É o que mostra uma pesquisa divulgada nesta segunda-feira (21) pela consultoria Bain & Company, que estimou em R$ 136 bilhões as receitas geradas nas empresas envolvidas com o sistema do Google no Brasil em 2019.

A pesquisa, realizada pela primeira vez no país, mostra que aproximadamente 35% dos profissionais nos setores de tecnologia e telecomunicações estão envolvidos diretamente na cadeia de valor gerada pelo Android, englobando cerca de 630 mil empregos.

Já o valor das receitas do setor representa cerca de 2% do PIB (Produto Interno Bruto, o total de riquezas produzidas) do país no período, englobando software, hardware e serviços.


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Meu primeiro emprego

Além de ser um mercado novo — e em expansão —, o desenvolvimento de apps foi identificado não apenas como um mercado que gera empregos, como também um que dá espaço para profissionais recém-chegados ao mercado de trabalho. A pesquisa da Bain & Company identificou que cerca de 78% dos desenvolvedores começaram sua carreira com o Android (que, vale lembrar, tem 12 anos de mercado); além disso, 59% dos criadores de apps entrevistados revelaram ter até 29 anos.

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Mercado acolhe muitos jovens (imagem: Bain Developer Survey)

Outro dado revelado pela pesquisa foi que 78% dos desenvolvedores entrevistados têm no máximo cinco anos de experiência, e 19% ainda são estudantes.

Líder de mercado

Reflexo da participação de mercado do Android entre os sistemas operacionais móveis usados pelos consumidores, 80% dos desenvolvedores revelaram trabalharem com o sistema do Google, contra 60% com o iOS — muitos dividem seu tempo entre mais de uma plataforma.

Mesmo entre os profissionais que desenvolvem para mais de um sistema, 73% dos entrevistados responderam que consideram o Android sua plataforma principal de trabalho. Indo além, do total de tempo dedicado aos diferentes sistemas, a pesquisa revelou que 66% foi dedicado ao SO do Google, contra 26% para o iOS e 8% a outras plataformas (Windows, web etc).

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Android é a principal plataforma para a maioria dos desenvolvedores (imagem: Bain Developer Survey)

Além da participação de mercado, os desenvolvedores citaram como vantagens do Android frente aos concorrentes a disponibilidade de ferramentas abertas (open source) para desenvolvimento de aplicativos, além do baixo investimento necessário para desenvolver e publicar seu trabalho.

No caso do iOS, as vantagens apontadas foram o retorno financeiro frente ao investimento realizado, além da questão de segurança para a distribuição do apps — em referência às restrições de instalação dos apps pela App Store.

Sem crise

As oportunidades não parecem se esgotar para os profissionais da área. Além da disponibilidade de vagas e alta contratação de estudantes e recém-formados, os entrevistados responderam que a questão financeira é um ponto alto do mercado de desenvolvimento, com uma evolução crescente da remuneração dos profissionais, chegando a uma média de R$ 11.750 para os desenvolvedores com mais de 10 anos de experiência.

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Remuneração é um dos pontos positivos segundo os entrevistados (imagem: Bain Developer Survey)

Entre os trabalhadores com mais de 10 anos de mercado, 30% revelaram ter um salário mensal entre R$ 10.000 e 20.000, enquanto um quarto dos desenvolvedores recebe mais de R$ 20.000 por mês.

Outro indicador do mercado aquecido é a alta rotatividade de profissionais — que se por um lado pode ser ruim para as empresas, é um bom sinal para os desenvolvedores. A pesquisa da Bain & Company revelou que aproximadamente 35% dos trabalhadores no setor com até dois anos de mercado já trocaram de empresa, número que chega a 50% entre os profissionais com até cinco anos de experiência.

Clube do bolinha e de classes variadas

O perfil demográfico dos desenvolvedores revelou que o mercado de aplicativos ainda tem um predomínio de trabalhadores do sexo masculino: 69% dos entrevistados são homens, contra 29% de mulheres — 2% dos entrevistados preferiram não responder à informação de gênero da pesquisa, que por sua vez não revelou se outras opções foram disponibilizadas no questionário.

Por outro lado, diferentemente do que se pode imaginar, o desenvolvimento de aplicativos é um mercado aberto a todos os extratos da sociedade, ainda que não tenha uma distribuição equivalente à população geral, com apenas 23% dos profissionais nas classes A e B, 42% na classe C e 35% nas classes D e E.

Até mesmo o acesso à educação superior não foi identificado como um empecilho à carreira, com 52% dos desenvolvedores com nível de escolaridade igual ou maior ao ensino superior. O dado revelador confirma o perfil autodidata dos profissionais, com uma forte troca de conhecimento com colegas, comunidades e em fóruns de discussão, além de uma ampla oferta de cursos online para qualificação e desenvolvimento da carreira.

Novas oportunidades

E o mercado de aplicativos não gerou oportunidades apenas para desenvolvedores e programadores. Outra categoria profissional impactada positivamente pelo ecossistema de smartphones e aplicativos foi a dos autônomos — participantes da chamada “gig economy”.

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Impacto dos aplicativos não se restringe aos desenvolvedores (imagem: Bain Developer Survey)

Freelancers, prestadores de serviço, entregadores, motoristas de aplicativo e outros profissionais ampliaram seu mercado de trabalho e até, no caso do milhão de motoristas de apps como o Uber, 99 e outros, viram surgir uma oportunidade que não existia 10 anos atrás.

Na mira dos reguladores

As revelações da pesquisa surgem em um momento em que Apple e Google buscam destacar os impactos positivos de suas lojas de aplicativos. Ambas as empresas têm sido alvo de investigações sobre possíveis práticas anticompetitivas, principalmente a Apple, com a exigência do uso da App Store e seus sistemas de pagamento no iPhone.

Enquanto a Comissão Europeia já analisa as práticas da Maçã em suas lojas de aplicativos e livros, a Coreia do Sul anunciou que investigará — a pedido dos desenvolvedores — a cobrança da comissão de 30% nas vendas das lojas do iOS e Android.

Vale lembrar que no Android é possível instalar aplicativos sem utilizar a Play Store, método usado, por exemplo, pela Epic Games para distribuir seu sucesso Fortnite.

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Fonte: Canaltech