Ciência & Tecnologia

Como reduzir o risco de redes industriais legadas antes do retrofit

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A migração de PROFIBUS para PROFINET, de DeviceNet para EtherNet/IP ou a atualização de uma arquitetura existente envolve orçamento, engenharia, testes, janelas de parada e, muitas vezes, execução em etapas.

Uma planta pode já ter decidido modernizar parte da automação e, ainda assim, depender por meses ou anos da infraestrutura que pretende substituir. A migração de PROFIBUS para PROFINET, de DeviceNet para EtherNet/IP ou a atualização de uma arquitetura existente envolve orçamento, engenharia, testes, janelas de parada e, muitas vezes, execução em etapas. Este processo pode levar anos.

Nesse intervalo, a rede atual não deixa de ser crítica. Ela continua conectando equipamentos, sustentando processos e exigindo manutenção. A questão, portanto, não é apenas quando o retrofit será concluído, mas como reduzir o risco da infraestrutura enquanto ela ainda precisa continuar funcionando.

Em ambientes brownfield, essa preocupação faz parte da própria modernização. A Schneider Electric descreve uma abordagem incremental que começa pela estabilização do ambiente existente, passa pela atualização de infraestrutura e gestão de dependências de ciclo de vida e admite períodos de coexistência antes da evolução gradual do sistema.

O risco não começa na idade da rede

Uma rede instalada há muitos anos não é necessariamente uma rede em más condições. É importante separar idade tecnológica, obsolescência comercial e condição real da instalação.

A IEC 62402 trata a obsolescência como um processo a ser gerenciado ao longo do ciclo de vida. Na prática, o risco se torna mais relevante quando a tecnologia existente passa a conviver com menor disponibilidade de peças, redução de suporte, conhecimento concentrado em poucos especialistas ou documentação insuficiente.

O meio físico também entra nessa avaliação. Cabos, conectores, terminadores, blindagem, aterramento e outros elementos podem sofrer alterações, intervenções ou degradação ao longo dos anos. Por isso, decidir o que precisa ser corrigido ou substituído exige diagnóstico, e não apenas a data de instalação.

Essa distinção é especialmente importante no caso do PROFIBUS. Segundo a PROFIBUS & PROFINET International, havia aproximadamente 71 milhões de dispositivos PROFIBUS instalados mundialmente em 2026, e cerca de 1 milhão de novos dispositivos foram comissionados apenas em 2025. A transição tecnológica existe, mas acontece sobre uma base instalada ainda relevante.

Antes de migrar, é preciso conhecer o que existe

Em uma planta que passou por expansões, manutenções e modificações sucessivas, a arquitetura existente pode não corresponder integralmente aos desenhos do projeto original.

Por isso, inventário, topologia e documentação são etapas importantes antes do retrofit. O NIST destaca que ambientes OT enfrentam dificuldades particulares na gestão de ativos devido, entre outros fatores, à presença de sistemas legados, diferentes protocolos e restrições operacionais.

Além de identificar equipamentos e conexões, é útil estabelecer uma baseline da rede. Essa linha de base registra uma condição conhecida de funcionamento e pode reunir informações como configuração, firmware, topologia, carga, parâmetros de comunicação e medições físicas.

Sem uma referência confiável do comportamento normal, fica mais difícil perceber quando determinada condição começou a se deteriorar ou comparar o ambiente antes e depois de uma intervenção.

O legado precisa continuar diagnosticável

Enquanto a migração não acontece, a prioridade não é transformar uma arquitetura antiga em uma nova, mas preservar a capacidade de diagnóstico sobre aquilo que ainda sustenta a produção.

Práticas de diagnóstico e monitoramento de redes industriais podem combinar análise física e lógica, acompanhamento de eventos e comparação das condições da rede ao longo do tempo.

Isso é particularmente útil diante de falhas intermitentes. Uma ocorrência pode desaparecer antes da chegada da equipe ou surgir apenas sob determinadas condições operacionais. O histórico permite preservar evidências, identificar recorrências e orientar a investigação posterior.

O mesmo vale para problemas físicos. As diretrizes da PI para PROFIBUS incluem verificações de cabos, conectores, terminadores, blindagem, reflexões, rupturas e curtos. A ODVA apresenta orientações equivalentes para “troubleshooting” de DeviceNet, incluindo alimentação, terminação, aterramento e isolamento de trechos durante a investigação.

Os dados da rede atual também ajudam a planejar o retrofit

Migração não significa necessariamente substituir toda a arquitetura em uma única parada. Siemens documenta cenários de coexistência entre PROFIBUS e PROFINET, enquanto a Rockwell Automation prevê a conexão temporária de redes DeviceNet existentes a ambientes EtherNet/IP quando a migração simultânea não é possível.

Nesse processo, os dados levantados no legado podem ajudar a definir prioridades. Segmentos com maior recorrência de eventos, infraestrutura física problemática, ativos críticos e dependências pouco documentadas passam a ser conhecidos antes da janela de modernização.

À medida que novos segmentos entram em operação, a mesma lógica de observação pode continuar por meio do monitoramento contínuo de redes PROFINET.

O objetivo não é prolongar artificialmente a vida de uma tecnologia antiga. É reduzir a exposição operacional enquanto ela ainda faz parte do processo e transformar o conhecimento da rede existente em informação útil para uma transição mais previsível.

Referências

  1. PROFIBUS & PROFINET International. Strong Foundation, Clear Direction: PI Continues Growth in Automation. 2026.
  2. Schneider Electric. Advanced DCS: preserving what must not change, while enabling what must. 2026.
  3. IEC. IEC 62402:2019 — Obsolescence management. 2019.
  4. NIST. Asset Management as a Foundation for OT Cybersecurity. 2026.
  5. Rockwell Automation. Compact I/O to Compact 5000 I/O Migration Guide. 2026.

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