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COVID-19 | Como os geólogos vão estudar a pandemia daqui a muitos anos?

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A pandemia da COVID-19 transformou o mundo em 2020, trazendo graves consequências para a saúde, principalmente, bem como para a economia. E a doença, mesmo após a distribuição de uma vacina que seja efetiva contra o vírus SARS-CoV-2, vai deixar rastros na humanidade e para as próximas gerações.

Pensando em centenas de anos à nossa frente, geólogos terão alguns problemas na hora de estudar como foi essa pandemia iniciada em 2019 e que se estende por 2020. Eles não conseguirão, por exemplo, analisar o vírus, uma vez que ele não é capaz de ser fossilizado, e também será complicado obter registros claros de fósseis das vítimas, pois o grande desafio será distinguir o que foi causado pela COVID-19 e o que não.

Cientistas terão acesso, no entanto, a um vasto registro de máscaras e luvas descartadas, que estão sendo usadas abundantemente no mundo inteiro. Esses itens são compostos de plásticos, sendo então altamente duráveis e facilmente fossilizados. A fossilização pode aparecer de diferentes formas, como, por exemplo, acumulando-se nos leitos dos rios e no fundo dos lagos, sendo cobertos com sedimentos a cada vez mais e preservados em pedras recém-formadas.


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Imagem: Reprodução/Pixabay

Luvas e máscaras também podem ser carregadas até o oceano, algumas delas chegando até costas mais distantes e aparecendo em praias. Os EPIs (equipamento de proteção individual) podem também seguir a corrente do oceano, podendo se degradar, fragmentar, ou ainda afundar e fazer companhia aos bilhões de pedaços de microplásticos que ficaram presos na lama do mar profundo.

Com esses resíduos, junto às consequências ambientais que já estamos provocando, o ano de 2020 poderá ser analisado através de sinais fósseis bem preparados. A taxa de poluição por plásticos está bem alta, com as emissões de carbono, atualmente, reduzidas, mas de forma insignificante para o futuro. O que pode fortalecer o registro fóssil seria a também uma grande redução de outros gases de efeito estufa, como o óxido nitroso.

A pequena redução das emissões, neste período de pandemia, acabou trazendo um impacto favorável aos oceanos, com a dispersão do mexilhão-zebra, uma espécie invasora de molusco, pela globalização do comércio. Nos últimos anos, os mexilhões pegaram caronas nos cacos dos navios, se espalhando a todo o mundo. Agora, a sua reprodução está mais desacelerada.

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Máscaras que foram encontradas descartadas em praia de Hong Kong (Foto: Reuters)

Mas para trazer um verdadeiro efeito geológico no mundo, a pandemia teria que resultar na descarbonização da indústria de todo o mundo. Segundo Christiana Figueras, ex-chefe de convenção climática da ONU, as mudanças atuais podem ser usadas para a remodelação da indústria, cortando as emissões de gases de efeito estufa na atmosfera, em vez de voltar a ser como era antes.

Se as reduções continuarem, a estabilização climática vai ser registrada não só nos núcleos de gelo e água, como também em corais, anéis dos troncos das árvores e em estalagmites de todo o planeta.

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Fonte: Canaltech