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Cientistas transformam óleo usado pelo McDonalds em resina para impressoras 3D

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Imagine que, em vez de todo o óleo residual utilizado em grandes redes de fast food, como o McDonalds, não fossem despejados na natureza ou entupissem canos de esgoto e, em vez disso, ganhassem fins mais nobres. É exatamente isso que pesquisadores da Universidade de Toronto, no Canadá, almejam. Eles descobriram uma maneira de transformar os restos de uma fritadeira em plástico sensível à luz, que pode alimentar impressoras 3D.

Tudo começou com a descoberta de um professor, que começou a se interessar pela impressão em 3D, há cerca de três anos. Ele observou que as moléculas básicas utilizadas para criar resinas plásticas comerciais apresentam estruturas semelhantes às gorduras presentes no óleo de cozinha. A partir daí, o cientista procurou por uma fonte voluntária e encontrou-a nas unidades do McDonalds — e, claro, os gerentes aceitaram de prontidão, pois a multinacional gasta bastante para manusear o descarte desse material de forma que não agrida o meio ambiente.

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Imagem: Reprodução/ACS Sustainable Chemistry & Engineering

Na verdade, transformar óleo de cozinha em resina utilizável requer um processo químico bastante simples. Depois que a substância é filtrada e limpa, um fotoiniciador (que pode converter energia absorvida da luz em energia química) é usado para provocar mudanças nas propriedades físicas.


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O resultado é ideal para as técnicas de estereolitografia, aplicadas pelas máquinas durante a construção de um modelo 3D. As fatias finas de resina líquida são endurecidas com luz, até que o objeto esteja concluído. O estudo foi publicado recentemente na revista científica ACS Sustainable Chemistry & Engineering.

Novidade é biodegradável e custa menos que a resina tradicional

Um litro de resíduo de óleo de cozinha produziu 420 mililitros de resina, ou pouco menos da metade do seu volume original. Um teste envolveu a impressão 3D de uma borboleta plástica com detalhes de até 100 micrômetros. O modelo se manteve termicamente estável, o que significa que não derreteria ou se tornaria muito frágil sob temperatura ambiente ou maior que 18 graus Celsius.

Essa solução é completamente biodegradável. Em duas semanas, uma amostra enterrada no solo perdeu 20% de seu peso, após a ação de micróbios. Além disso, uma das maiores vantagens desse processo é o preço. As resinas normalmente usadas em impressoras 3D de alta resolução podem custar mais de US$ 500 por litro, enquanto esse material reciclado tem potencial para chegar a US$ 300 por tonelada métrica — ou incríveis US$ 0,3 por litro.

Ainda não há previsão de aplicação, mas desde já tem tudo para tornar as impressões 3D bem mais acessíveis.

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Fonte: Canaltech