Mundo Tech

Cofundador do Facebook pede separação do WhatsApp e Instagram

Cofundador do Facebook pede separação do WhatsApp e Instagram - 1

Há pouco mais de 10 anos, Chris Hughes aparecia sorridente ao lado de Mark Zuckerberg em fotos oficiais da estrutura corporativa do Facebook. Agora, o cofundador da rede social estaria ao lado do governo dos Estados Unidos colaborando com órgãos regulatórios em um vindouro caso antitruste que vai questionar as práticas comerciais da empresa, um suposto monopólio no setor de redes sociais e, principalmente, a estrutura que coloca plenos poderes nas mãos do criador da empresa.

Hughes estaria trabalhando ao lado de dois acadêmicos de economia, Tim Wu, da Universidade de Columbia, e Scott Hemphill, da Universidade de Nova York, bem como com a Comissão Federal de Comércio (FTC, na sigla em inglês) e o Departamento de Justiça dos EUA. Esse movimento resultou não apenas na abertura de uma investigação preliminar, anunciada pelo próprio Facebook na semana passada, mas em um relatório maior, que taxa como “sem precedentes” o poder de mercado da empresa e também de Zuckerberg.

O inquérito analisa as chamadas “aquisições defensivas”, compras de empresas ainda em fase incipiente como uma forma de impedir seu crescimento e uma possível concorrência. Em vez de correr esse risco, o Facebook ofereceria dinheiro para startups e empreendedores no momento em que os olhos ainda brilham com uma oferta desse tipo, trazendo serviços e inovações para dentro da estrutura e impedindo que elas floresçam nas mãos de rivais.


Canaltech no Youtube: notícias, análise de produtos, dicas, cobertura de eventos e muito mais! Assine nosso canal no YouTube, todo dia tem vídeo novo para você!

Além disso, um dos intuitos do processo seria a separação entre o Facebook, Instagram e WhatsApp, de forma a abrir mais espaço no mercado de redes sociais e mensageiros para outras soluções. A trinca, afirma o cofundador, exerce pressão sobre o mercado de tecnologia e também publicitário, impedindo o crescimento de ambos os setores, a distribuição adequada de receita e, principalmente, a inovação, transformando o mercado em uma briga de gato e rato por números.

Cofundador do Facebook pede separação do WhatsApp e Instagram - 2
Mark Zuckerberg e Chris Hughes em 2004, ainda nos primeiros anos do Facebook (Imagem: Vanity Fair)

 

A imprensa americana teve acesso a parte dos relatórios preliminares fornecidos pelos acadêmicos ao governo. Enquanto o nome de Hughes aparece na terceira posição de uma lista de autores, Wu e Hemphill fazem mistério quanto à participação do cofundador na iniciativa, afirmando apenas que ele esteve em reuniões sobre o assunto e se tornou um membro importante do time. Ele não se pronunciou oficialmente sobre o assunto e sua participação nos inquéritos.

Vê-lo nesta posição, entretanto, não é nada surpreendente. Desde que deixou a estrutura gerencial do Facebook, há uma década, Hughes se tornou um crítico contumaz do Facebook e suas práticas de mercado. Ele fala negativamente principalmente do poder de Zuckerberg e esta não seria a primeira vez que ele aparece advogando em prol de uma separação da companhia.

Concordância

A tese dos acadêmicos e de Hughes de que o Facebook realiza aquisições não em prol de inovações, mas sim como forma de acabar com a competição, também já foi ecoada nos círculos internos da FTC. Em março, o congressista David Cicilline, que também é um dos diretores de um comitê antitruste da organização, disse que a compra do Instagram e do WhatsApp acabou com a concorrência no setor de redes sociais e mensageiros e pediu a abertura de uma investigação.

Segundo o órgão, entretanto, o atual inquérito preliminar não está relacionado às palavras de Cicilline, e a FTC nem mesmo deixou clara a participação de Hughes, Wu e Hemphill nesse processo. A ideia, inclusive, é que tais trabalhos fossem feitos em sigilo, sem divulgação para o público, até que conclusões preliminares sobre um processo efetivo fossem obtidas.

Em prol da transparência, então, o Facebook pode ter revelado mais do que deveria, conscientemente, e também sabendo que isso seria capaz de atrair atenção indesejada para o processo. Sobre isso, o órgão também não se pronunciou, afirmando apenas que esse é um caso complexo, cujas investigações iniciais podem se estender por meses até que as primeiras conclusões sejam obtidas.

Trending no Canaltech:

Fonte: Canaltech


Talvez você também goste