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Legista faz lives de autópsias no Facebook: “Não é macabro, é o corpo humano”

Legista faz lives de autópsias no Facebook:

Talvez você faça parte da fatia de pessoas do Facebook que adoram ver vídeos de uma galera espremendo espinhas, retirando cravos ou até mesmo desencravando unhas. No entanto, um legista do Autopsy Center of Chicago decidiu levar esses vídeos bizarros do corpo humano a outro nível, e começou a gravar as autópsias realizadas, até passar a transmiti-las ao vivo na rede social.

As gravações das autópsias, a princípio, eram postadas no site norte-americano Autopsy.Online, que é basicamente um projeto educacional do Autopsy Center of Chicago. A ideia foi do legista Ben Margolis. Ele vê a gravação da autópsia como uma ferramenta para famílias de falecidos recentemente, não apenas para fornecer informações úteis em face de um evento trágico, mas também para ajudá-los a aceitar a sua perda. “As famílias vêm até nós para descobrir o que aconteceu”, diz Margolis em entrevista ao portal Futurism.

Foi em janeiro de 2017 que Margolis realizou sua primeira transmissão ao vivo, amarrando uma câmera GoPro na cabeça e dando aos espectadores um ponto de vista em primeira pessoa sobre o procedimento, enquanto ele explicava cada etapa no Facebook Live. Ele acredita que uma abordagem mais imersiva é mais abrangente para o espectador casual e curioso pela ciência. Ele ainda conta que se esforça para que seus vídeos se transformem em recursos educacionais.


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Legista faz lives de autópsias no Facebook:
Legista usa o Facebook Live para compartilhar as transmissões de autópsias

Margolis almeja construir um mapa virtual onde os espectadores podem clicar em uma parte do corpo e assistir a um videoclipe desse órgão em particular sendo removido e examinado — um recurso que ele diz ser particularmente valioso para estudantes que não têm acesso a cadáveres. O legista ainda diz que os feedbacks dos espectadores são amplamente positivos. “Não é macabro, é o corpo humano”, o legista aponta. “Todos nós temos um, e é interessante”. Durante as transmissões, ele proibiu as pessoas de ridicularizarem quem fizesse perguntas, mesmo que a resposta parecesse óbvia. “Se você está fazendo uma pergunta, não há problema. É maravilhoso que você possa perguntar”.

Margolis diz que uma vez ele teve 1 milhão de pessoas assistindo a uma transmissão ao vivo no Facebook de uma só vez. “As principais preocupações das autópsias de transmissão ao vivo são garantir que você respeite os desejos e a privacidade do falecido e de sua família, e que você está tratando o corpo com respeito”. Além disso, vale lembrar que o legista se esforça para preservar o anonimato dos cadáveres. Antes de começar a gravar, ele cobre o rosto do falecido, além de quaisquer marcas identificáveis, como tatuagens ou etiquetas.

Tudo permitido

O médico nunca divulga a idade da pessoa ou outros detalhes pessoais, e passa mais de uma hora conhecendo os membros da família que se aproximam dele para fazer autópsias antes de considerar a possibilidade de uma gravação de vídeo e, principalmente, de uma transmissão ao vivo.

Nos formulários de consentimento, o legista pede a permissão para tirar fotos, gravações de vídeo, transmissões ao vivo ou permitir que os alunos entrem na sala. Se um parente hesitar ou parecer desconfortável, o legista não grava. Ainda assim, Margolis garante que não exibe gravações se o falecido for criança ou se o caso envolver uma investigação criminal ativa, como um homicídio.

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Fonte: Canaltech


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