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NASA aposta na hibernação de astronautas para viagens espaciais mais longas

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Os ursos são animais famosos por sua capacidade hibernar, mas não são os únicos dotados dessa habilidade natural. Vários tipos de esquilos, morcegos e até pássaros podem diminuir a temperatura central de seus corpos a fim de atingir um estado de dormência por semanas ou até meses seguidos.

A novidade é que, um dia, os humanos poderiam se juntar a esses animais nessa lista. “É muito possível que os humanos possam hibernar“, explica Kelly Drew, professora do Instituto de Biologia do Ártico da Universidade do Alasca, que desenvolve pesquisas na área visando viagens espaciais de longa duração.

Direto para o espaço

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Desde 2014, a NASA financia pesquisas sobre a hibernação de longo prazo; afinal, essa é uma maneira de permitir que humanos viajem para o espaço em temporadas cada vez mais longas. Ir até o planeta vizinho, Marte, por exemplo, é algo limitado pelas necessidades humanas dos astronautas, que precisam comer, se movimentar e exercitar a mente. Hoje, isso torna essas viagens impraticáveis.


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Caso fosse possível reduzir seus processos metabólicos para quase zero, ou seja, entrar em um estado de hibernação, as viagens espaciais seriam também muito mais econômicas, porque as equipes poderiam levar menos comida e água na espaçonave. Ainda, as naves espaciais seriam menores, pois os astronautas não precisariam de tanto espaço para se movimentar. Com a opção de hibernação, um membro da tripulação poderia permanecer consciente enquanto os outros hibernariam por períodos de duas semanas ou mais.

Em um exemplo hipotético, um quarto a menos de uma espaçonave representa várias toneladas a menos de massa a ser enviada da Terra até o Planeta Vermelho, o que implicaria em menos materiais usados na construção e, principalmente, uma quantidade de combustível necessária bem menor para o lançamento. Em outras palavras, tas viagens seriam mais viáveis e custariam menos.

Por enquanto, “não conseguimos encontrar nenhum obstáculo [para a hibernação], por qualquer motivo que não fosse possível”, comenta John Bradford, engenheiro aeroespacial que pesquisa hibernação humana da NASA. Ainda assim, os pesquisadores precisam descobrir como colocar humanos em segurança nesse estado dormente.

Desafios para humanos

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(Imagem: SpaceWorks Enterprises)

A grande barreira das pesquisas até agora é que os humanos parecem ter um ponto fixo de temperatura corporal, em torno de 36,5ºC, com alterações muito pontuais ao longo do dia, como uma queda de temperatura que acontece enquanto a pessoa dorme. Em outros casos, a temperatura também pode mudar como uma indicação de perigo, como em estado de febre ou hipotermia.

Ainda mais greve, no caso dos humanos a oscilação de alguns graus pode significar a diferença entre saúde e morte iminente. Bem diferente dos animais que naturalmente hibernam, que apresentam quedas bruscas da temperatura corporal. Só que ainda há esperança para a espécie humana, porque, como Drew explica, não há uma “molécula de hibernação” ou órgão que os humanos não tenham, quando comparados aos outros animais.

De fato, essa mudança brusca só pode ser induzida em circunstâncias extremas, como o caso da – ainda experimental – animação suspensa, por exemplo. Para salvar vidas, essa técnica envolve o resfriamento rápido do corpo de um paciente, para uma temperatura de 10 a 15 graus Celsius, e substitui seu sangue por uma solução salina com baixas temperaturas.

Nessa condição, o corpo humano desacelera todos os processos fisiológicos vitais através meios externos, sem que isso leve à morte do indivíduo. Assim, a respiração, a pulsação e outras funções involuntárias continuam a ocorrer, mas só podem ser detectadas por máquinas, por causa da baixa frequência. O limite de procedimento é, até agora, de poucas horas, e só pode ser usado em casos de quase-morte.

Dessa ou de outra maneira, se os cientistas da NASA conseguirem induzir a hibernação humana por longos períodos e de maneira segura, caminhos serão abertos para um tipo inédito de exploração do espaço sideral.

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Fonte: Canaltech