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O que é real e o que é fake nas postagens sobre as queimadas amazônicas?

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Nesta semana, a Floresta Amazônica entrou para os trending topics mundiais, e não por um bom motivo: as enormes queimadas que acontecem na floresta — principalmente nas regiões de Rondônia e do Acre, falando apenas daqui do Brasil.

O problema não é exatamente recente: segundo os dados do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), houve um aumento de mais de 80% nos incêndios florestais do Brasil quando comparados aos primeiros seis meses do ano passado, e mais da metade deles (52,5%) estão concentrados na área de floresta da Amazônia. Mas, ainda que os incêndios na região não tenham começado só agora, a coisa ganhou notoriedade porque as queimadas chegaram a um nível tão intenso que a fumaça delas atravessou três estados e cobriu os céus de São Paulo na última segunda-feira (19).

Desde então, as redes sociais estão cheias de pessoas compartilhando mensagens com a hashtag #prayforamazon, não só no Brasil, mas no mundo todo, incluindo diversas celebridades e figuras políticas. Mas, assim como acontece em qualquer evento de grande comoção, nem todas as imagens compartilhadas são atuais e mostram o problema das queimadas da Amazônia desta semana, e por isso vamos indicar aqui o que é “fato” e o que é “fake” nessa história toda de incêndio, começando por uma das imagens mais impressionantes: a da fumaça vista do espaço.


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Foto do satélite da NASA

Fires in Brazil

A imagem do satélite da NASA que mostra uma enorme nuvem de fumaça cobrindo o território brasileiro é real, e não há nenhuma manipulação nela para exagerar o tamanho do problema. Como já falamos em outra notícia aqui no Canaltech, essa quantidade de fumaça não é fruto de uma queimada de um ou dois dias, mas das duas semanas ininterruptas de incêndios na floresta nas regiões do Acre e de Rondônia.

Então, não precisa ficar na dúvida: a NASA tem certeza que essas imagens são reais e possui todos os dados para provar, então podemos colocar a foto da fumaça como fato. Infelizmente, do que está sendo compartilhado pelas redes sociais, ela é uma das únicas reais, e muitas das outras não têm nada a ver com os atuais incêndios da Amazônia.

Incêndio na floresta

Duas fotos que mostram um grande incêndio em áreas de florestas estão sendo bastante compartilhadas pelas redes sociais mas, ainda que sejam imagens de incêndios reais, nenhuma delas é exatamente sobre o que está acontecendo agora na Amazônia. A primeira delas foi compartilhada por diversas figuras públicas importantes, como o ator Leonardo Di Caprio, a modelo Gisele Bündchen e o presidente da França, Emmanuel Macron.

O problema desta imagem é que ela, apesar de ser sobre a Amazônia, não é sobre os atuais incêndios. Não se sabe exatamente quando a foto foi tirada, mas ela foi originalmente publicada pelo fotógrafo Loren McIntyre em um livro na década de 1990, então há pelo menos 20 anos essa imagem tem circulado pelo mundo.

Outra foto sobre a floresta em chamas foi publicada pelo jogador Cristiano Ronaldo, astro da Juventus, mas assim como a do tweet de Macron, essa também é uma imagem problemática.

E, no caso do jogador de futebol, o erro é ainda mais grave, pois, apesar de se tratar de um incêndio real, ela não é sobre a Amazônia. A foto mostra um incêndio que aconteceu em 2013 na Reserva Ecológica do Taim, no Rio Grande do Sul — ou seja, nem perto de qualquer área que pode ser considerada como parte da Floresta Amazônica.

Aldeia indígena queimando

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Mais outra postagem que tem feito sucesso nas redes sociais é um vídeo de uma aldeia indígena queimando e que foi compartilhado por diversas celebridades, entre elas Rosario Dawson — atriz que recentemente interpretou a Enfermeira da Noite nas séries Demolidor, Jessica Jones, Luke Cage, Punho de Ferro e Os Defensores, e que é casada com o candidato à presidência dos Estados Unidos, Cory Booker.

O vídeo mostra uma mulher indígena chorando enquanto aponta para as chamas e pede por punição pelos criminosos que atearam fogo na aldeia, mas, apesar de ser um vídeo de um incêndio real — e de que áreas de reserva indígena estejam sendo queimadas nos atuais incêndios da Amazônia —, ele foi gravado no começo de julho deste ano, quando um incêndio criminoso atingiu a reserva indígena dos Naô Xohâ, em Minas Gerais.

Animais carbonizados

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(Imagem: Reprodução do Twitter)

Uma montagem com quatro fotos de animais afetados pelas chamas também viralizou, sendo que uma delas mostra um coelho imóvel, totalmente carbonizado. Mas, assim como a maioria das imagens que estão sendo compartilhadas, essa montagem também é toda composta de fotos que não possuem relação com a Amazônia.

Cada foto dessa montagem é de um lugar e período de tempo diferentes: a foto do animal correndo no campo em chamas foi tirada em 2011 no interior de São Paulo, em uma queimada que ocorreu num canavial de Sertãozinho. A foto do macaco caído também é de 2011 e no interior de São Paulo, dessa vez na cidade de Presidente Venceslau, e também foi retirada de uma notícia sobre queimadas em canaviais. Já o tatu foi encontrado num canavial de Araras, também interior de São Paulo, em 2018, e o tal do coelho carbonizado — talvez a imagem mais chocante de toda a montagem — não chegou nem mesmo a acontecer no Brasil, pois é uma imagem famosa que retratou os incêndios que ocorreram na Califórnia no ano passado.

Assim, é importante que fiquemos todos preocupados com a Amazônia, pois ela está mesmo sob ataque, mas precisamos tomar cuidado com o que compartilhamos, porque nem sempre a foto mais chocante e que mais chama a atenção realmenre mostra o problema real. Ou seja: ao não checar as informações, na ânsia pelo compartilhamento mais rápido do oeste, podemos estar contribuindo para com a disseminação de desinformação, mesmo com boas intenções no coração.

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Fonte: Canaltech


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