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Tempestades magnéticas perigosas estão mais perto da Terra do que se imaginava

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Em um novo estudo que busca entender melhor as interações das tempestades solares com o campo magnético da Terra — fenômeno que resulta nas auroras coloridas que testemunhamos nos céus polares —, pesquisadores descobriram que a fonte dessas tempestades pode estar muito mais próxima do nosso planeta do que se pensava ser possível.

Embora espetaculares, as auroras que embelezam os céus noturnos nas regiões polares conseguem causar estragos em nossas tecnologias. É que durante tempestades magnéticas, os fluxos de plasma quente emitidos pelo Sol podem se tornar bem mais fortes e ganhar alta velocidade ao se deparar com o campo magnético que protege nosso planeta.

O que são tempestades magnéticas

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Aurora boreal vista da Estação Espacial Internacional (Foto: NASA)

Os ventos solares são comuns e constantes. Mas à medida que ele atinge a magnetosfera (região externa da atmosfera terrestre que envolve o planeta, onde o campo magnético controla os processos eletrodinâmicos), a interação com o campo magnético terrestre gera calor e acelera íons e elétrons trazidos pelo vento solar. Isso enfraquece temporariamente o campo magnético do planeta e cria fortes tempestades magnéticas. É isso o que vemos acontecer no céu quando olhamos uma aurora.


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Tudo isso tem potencial de causar distúrbios na ionosfera e afetar a qualidade da comunicação por rádio, sistemas de navegação, células solares de satélites, radares e até mesmo das bússolas. Prever quando uma tempestade magnética ocorrerá seria de grande importância para prevenir maiores danos.

Mas essas tempestades são raras, difíceis de prever e não há satélites suficientes para observá-las. Por isso, ainda não se sabe exatamente onde e como essa reconexão das linhas de campo magnético — provenientes do vento solar e da magnetosfera — acontece. A magnetosfera é uma região muito extensa na região interplanetária e é difícil determinar com exatidão onde todo esse processo de reconexão acontece.

Investigando o fenômeno

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O novo estudo conseguiu determinar a região da magnetosfera onde as reconexões magnéticas acontecem – a área marcada com um X vermelho. Anteriormente, imaginava-se que as reconexões aconteciam em lugares mais distantes da Terra (Imagem: Emmanuel Masongsong/UCLA)

Para descobrir isso, os pesquisadores usaram observações de um satélite da NASA chamado Time History of Events and Macroscale Interactions during Substorms (ou simplesmente THEMIS). Durante as tempestades solares, esses satélites ficam em uma parte da magnetosfera no lado do planeta que não está voltada para o Sol, ou seja, onde é noite. Essa região acaba se tornando bem mais longa que a parte voltada para o Sol por causa dos ventos solares.

Os pesquisadores descobriram que a reconexão magnética — o evento que desencadeia as tempestades magnéticas — pode ocorrer muito mais perto do planeta do que se pensava: uma distância que mede cerca de três a quatro diâmetros da Terra.

Além disso, um satélite climático em uma órbita próxima à Terra (ou seja, geossíncrona) detectou elétrons energizados após a tempestade, sugerindo que o evento de reconexão levou íons e elétrons a acelerarem para altos níveis de energia. Essa aceleração pode ser perigosa para os satélites em órbita geossíncrona e até mesmo para o DNA humano, o que coloca os astronautas em risco. “Ao estudar a magnetosfera, aumentamos nossas chances de lidar com os maiores riscos para a humanidade ao se aventurar no espaço: tempestades alimentadas pelo Sol”, disse Vassilis Angelopoulos, professor de física espacial da UCLA e autor principal do estudo.

Há outros efeitos das tempestades magnéticas que podem afetar os habitantes da Terra negativamente. Em 1921, por exemplo, uma delas interrompeu as comunicações telegráficas e causou uma queda de energia que resultou no incêndio de uma estação de trem na cidade de Nova York. Com as descobertas do novo estudo, cientistas podem entender melhor a natureza desses eventos para que astronautas e habitantes da Terra se prepararem melhor para o clima espacial.

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Fonte: Canaltech