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Oscar 2019 | Nossos palpites sobre quem levará a estatueta de Melhor Filme

Desde o início da temporada de festivais (talvez até antes), surgem as discussões sobre o próximo Oscar. Apostas, bolões, debates intermináveis sobre quais são os melhores entre os indicados, quais são os injustiçados e as teorias sobre as indicações daqueles filmes que se acreditam como sendo superestimados.

A verdade é que as qualidades existem, mas premiações são políticas – especialmente quando estamos falando das mais caras delas. Transmitir o Oscar, por exemplo, só não é tão caro quanto transmitir o Super Bowl. São cifras hiperbólicas. Milhares e milhares por cada hora de transmissão. E se há muito dinheiro envolvido, é mais do que óbvio que há política. Nem falo de políticos, mas da política em si.

A qualidade pode até estar em um suposto primeiro plano, mas, no final das contas, vencem (ou são indicados) aqueles filmes que tiverem mais fôlego: é panfletagem, propaganda, criação de hype, momento histórico-político-social…

Sem mais divagações… vamos ao Oscar 2019 afinal, mais especificamente à sua categoria principal: Melhor Filme. Qual é o seu preferido? E a sua aposta? Consegue separar esses dois conceitos? Confesso que, às vezes, torcemos tanto para algum filme que só enxergamos a possibilidade de ele vencer tudo e, quando ele perde, há algo errado no mundo.

Os filmes então (lembrando que temos críticas sobre todos os indicados), são os seguintes:

Green Book: O Guia

Provavelmente, esse filme do diretor Peter Farrelly (de Debi & Lóide: Dois Idiotas em Apuros) é aquele que tem o maior poder de cativar o grande público. E tem seus méritos nisso. Ele aborda o denso tema do racismo (e também da homofobia) de forma leve, com humor. É o típico feel good movie, um filme que tem força para causar um sentimento do bem, de mostrar que a vida vale à pena, de emocionar e até de levantar o astral quando se está precisando.

Por outro lado, pode ser perceptível que sua good vibe funcione muito mais para amenizar uma discussão necessária do que para revelar as feridas abertas de uma sociedade ainda carcomida por crimes do passado.

Na temporada, além das suas cinco indicações ao Oscar, Green Book: O Guia tem pomposos 49 prêmios. Ele chega ao Oscar como uma espécie de azarão favorito e muitos o colocam entre os quatro indicados com mais chances de vencer. Pelas buscas do Google, até o último dia 19 (fevereiro) era o quinto filme mais buscado pelos brasileiros.

Se vencer, vai provar que a Academia quer uma comunhão paz e amor com seu público. Existe essa possibilidade, mas, pelo momento histórico-político-social atravessado pelos EUA, não deverá ser o caso.

Bohemian Rhapsody

Outro filme com cinco indicações e multipremiado na temporada (22 vezes). Bohemian Rhapsody, inclusive, protagonizou uma das maiores excentricidades do Globo de Ouro desse ano: mesmo sendo um filme contornado inteiramente pelas músicas do Queen, venceu como Melhor Filme de Drama. Enquanto isso, Green Book: O Guia levou como Melhor Filme de Comédia ou Musical.

Se ser eleito como o melhor dentro do gênero drama lhe dá um status de mais oscarizável (o que é bizarro por diminuir um gênero importante como a comédia), a verdade é que falta norte para o filme. Muito devido a problemas durante a produção, que afastaram o irregular diretor Bryan Singer da direção com dois terços das filmagens realizadas, mas prejudicado também (e em grande escala) pelo roteiro que opta por uma fórmula que pode parecer simples demais para retratar a história de alguém tão intenso. A sensação pode ser a de que carece, no filme, o que sobra nas músicas do Queen: vitalidade, emoção, novidade, desejo.

Vencer? Muito improvável. Apesar de ser um dos mais populares – o segundo nas buscas do Google no Brasil –, talvez seja o segundo que corre mais por fora. Porque o primeiro é…

Nasce uma Estrela

São oito indicações nas costas e mais 61 prêmios na temporada (boa parte para a canção Shallow, que provavelmente vencerá em sua categoria). É o filme mais pesquisado no Google pelos brasileiros, muito, claro, devido à presença marcante de Lady Gaga.

Nasce uma Estrela é o terceiro remake de um filme original lançado em 1937. Mesmo assim, surge como uma obra original. Não em sua história, claro. Trata-se de um conto de fadas que revela o arco-íris em todas as suas cores e que não se priva de mostrar o lado mais sombrio. Mas seus trunfos mesmos são a direção entusiasmada de Bradley Cooper e a química entre sua personagem e aquela interpretada por Gaga.

Não irá vencer – e isso talvez seja o fato mais claro dessa categoria. Bradley Cooper tem alguma chance como Melhor Ator, mas este é um prêmio que poderá ficar mesmo é nas mãos do protagonista de…

Vice

Com também oito indicações ao Oscar, Vice está na categoria de Melhor Filme como um azarão. É aquele filme que divide crítica e público, enfia o dedo na ferida, toma partido e, no final das contas, continua sendo um azarão.

Esse trabalho de Adam McKay (diretor também do indicado ao Oscar 2016 por A Grande Aposta) é uma farsa sobre algo que é complexo em sua essência velada, mas que precisa ser acessível por ser, afinal e por necessidade, de interesse público. É uma história predominantemente de ações banais, de situações ridículas e que, não raramente, provocam o riso. O diretor faz dessa obra um instrumento através do qual aprofunda sua proposta de buscar no cinema comercial a fonte para um cinema autoral.

Se vencer será somente porque a Academia é, em sua maioria, recheada de membros que são contra o governo Trump. Seria uma resposta em rede mundial. Mas, apesar de suas muitas qualidades e de suas chances reais em outras categorias (Christian Bale deverá vencer como Melhor Ator por exemplo – mas Rami Malek, de Bohemian Rhapsody, pode tomar a sua frente porque está fazendo uma forte campanha política), o Melhor Filme da noite deve estar entre os quatro seguintes…

Pantera Negra

Sete indicações ao Oscar e 77 prêmios na temporada e não… Pantera Negra não é tecnicamente o melhor dos oito filmes. Mas o momento mundial permite que o conteúdo do filme e o que ele representa esteja acima de sua qualidade “acadêmica”. Pantera Negra virou uma chave em questões sociais que nunca havia sido virada. Não é possível dizer que antes não existiram filmes que fizeram algo parecido, mas jamais com o alcance (comercial mesmo) do filme dirigido por Ryan Coogler (diretor o excelente Creed: Nascido para Lutar, 2015).

Nesse caso, talvez seja um tanto quanto purista avaliar o filme por si só. O cinema tem, felizmente, ultrapassado demais a tela.

Vencer? Existe alguma chance pela válida representatividade e pelo momento de querer popularizar a premiação, mas seria uma aposta bem arriscada. O careca dourado deverá ficar entre os três últimos da lista…

Infiltrado na Klan

Representatividade com uma direção cirúrgica de Spike Lee, um dos diretores mais injustiçados da história da Academia. É o momento certo, a ocasião certa e o filme certo. O mais estranho é que é muito possível que Infiltrado na Klan não vença como Melhor Filme se a Academia resolver premiar Lee como Melhor Diretor. E vice-versa. Pelo passado, pode ser que o um Oscar, aqui, surja como premiação-consolo…

O fato é que o filme está recheado de toda a polêmica necessária que perfura a carreira do seu realizador, um provocador que não permite que sua obra divirta sem restrições. Estar confortável demais assistindo a BlacKkKlansman (no original) é assinar um atestado de indiferença para a luta de uma minoria achincalhada.

São seis indicações e suas chances mais reais estão nas duas categorias principais. Pode se dizer que, por mais que seja o filme menos popular entre os oito no Brasil (4% das buscas do Google), o prêmio estará em ótimas mãos.

A Favorita

São nada mais e nada menos do que 10 indicações ao Oscar e 135 prêmios na temporada. O diretor grego Yorgos Lanthimos, traçando um caminho mais intimista sobre a realeza, acabou por realizar uma das duas obras-primas entre os indicados. É verdade que a forma de Lanthimos chega a incomodar a alguns, mas, também, é quase que inegável o seu talento na condução de estranhezas.

Com a concepção de que todos possuem, em algum nível, traços de podridão, o diretor expõe o reino de A Favorita de uma forma surreal (ou perto disso). É a partir desse ponto de vista que ele convoca seus pensamentos políticos de que dinheiro e sexo – e, aqui, a guerra – são os alicerces do poder e mancha igualmente a plebe. Mas ele o faz da forma mais consciente e humana possível, revelando que o povo é influenciado pelo poder de quem o governa e, se esse governo é sujo, dificilmente o resultado será uma sociedade limpa.

Pode vencer. Merece vencer. Tem chances reais. Mas, talvez, o momento de conflito entre cinema e streaming e a reflexão social do filme seguinte falem mais alto.

Roma

Com igualmente 10 indicações ao Oscar, mas com 166 prêmios na temporada, Roma é o recordista do ano e um filme que quebrou diversos paradigmas por ter sido produzido pela Netflix.

Em alguns aspectos do conteúdo, o filme mexicano tem suas semelhanças com A Favorita. Aos olhos de Cuarón, parte do mundo, recheada por muitos que conseguem voar, é de abutres. Ou, em uma visão mais ampla, cada um tem um “quê” de abutre dentro de si e só resta a escolha entre viver por carcaças (do sofrimento e da morte de outros) ou lutar para que todos possam voar (mesmo que carregados, abraçados).

É interessante como Roma é normalmente citado como o mais forte candidato em pelo menos três das categorias: Melhor Filme, Melhor Direção, e Melhor Direção de Fotografia… e, nessas, Cuarón assina como coprodutor, como diretor e como diretor de fotografia. Pode ser que seja uma onda inédita de premiações. E igualmente uma resposta da Academia a um presidente que quer construir um muro…

Se Roma vencer, a Academia estará em uma revolução interna. Trata-se de um filme produzido por uma plataforma de streaming e isso, por si só, já modifica diversos parâmetros sobre o que a maioria pensar ser o cinema. As chances são reais, mas muitos cineastas tarimbados (como Steven Spielberg e Christopher Nolan) ainda se opõem a filmes que não estreiam nos cinemas de fato. Isso, no final das contas, pode dividir a votação e deixar o prêmio nas mãos de A Favorita, Infiltrado na Klan, Pantera Negra, Vice ou, em casos criminosos (exagerando um pouco), Green Book: O Guia e Bohemian Rhapsody.

Repare que não citei Nasce uma Estrela nessa divisão. Deve ser porque é, realmente, o mais inofensivo dos oito e o único que, por mais que seja lindíssimo (e particularmente julgo como a terceira obra-prima), deve ter chance zero de vencer nessa categoria.

Mas Shallow vencerá.

E então? Qual é o seu filme favorito? Qual você acredita que irá vencer? Por quê? Vamos debatendo porque, apesar de ser uma premiação bem política (última menção), movimenta o cinema, o que a torna essencialmente válida!

A cerimônia terá início às 22h (horário de Brasília) do dia 24 de fevereiro (domingo). O canal pago TNT irá transmitir na íntegra a partir das 21h (também no horário de Brasília), iniciando pelo tapete vermelho. Já pela TV aberta, a Rede Globo só iniciará a transmissão após a exibição do Big Brother Brasil 19, quando alguns prêmios já terão sido apresentados. Pela internet, os assinantes da TNT poderão assistir através do TNT GO, o serviço de streaming do canal. Ainda dará para acompanhar através do próprio Twitter da emissora (da TNT) ou por uma live em seu canal do YouTube. Também será possível acessar o próprio site do Oscar para acompanhar a premiação ao vivo.

Fonte: Canaltech


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