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Olá, gente amiga desse nosso programa, que nesta edição se despede de uma semana extremamente difícil em nível global, por força das tensões que se acumulam desde a madrugada do último sábado, 3 de janeiro, quando do ataque do governo americano à capital da Venezuela, Caracas, e aos estados de Miranda, Aragua e La Guaira. A operação culminou com o sequestro do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa e, de lá para cá, a cada 24 horas, surgem notícias capazes de nos colocar numa situação de grande intranquilidade, para dizer o mínimo.

Tanto assim que 11 de janeiro o programa Natureza Viva, que eu tenho a honra de apresentar, vai ouvir o primeiro cientista brasileiro que compõe o grupo de Guardiões Planetários. Falo de Carlos Nobre. Em destaque, a situação da Groenlândia, que, apesar de não estar à venda, está sendo cobiçada pelo governo americano. Natureza Viva vai ao ar das 9 às 10 da manhã, pela Rádio Nacional.
Nesta mesma edição, estaremos comemorando também uma conquista histórica. A notícia vem do coração da Amazônia, mais precisamente do município de Satipo, no Peru, que acaba de transformar as abelhas em sujeitos de direito. Tenho certeza de que Seu Zé Abelha, compadre da saudosa Dona Raimunda dos Cocos, junto com ela, na grande colmeia que é o céu, comemora essa ideia cantando:
Maravilha saber que, pela primeira vez no mundo, um município reconhece oficialmente que um inseto pode ser sujeito de direitos. A medida, aprovada em outubro passado pelos vereadores da cidade, protege cerca de 170 espécies de abelhas sem ferrão, agora certificadas como animais protegidos por lei, e reconhece também o território da Reserva da Biosfera Avireri-Vraem como espaço em que a presença desses insetos deve ser preservada.
O texto da lei diz ainda que as abelhas têm o direito de existir, manter populações saudáveis, viver em um ambiente saudável, conservar e regenerar seus habitats, e que sua proteção deve estar ligada à conservação integral da Amazônia. É como se, pela primeira vez, o mundo dissesse oficialmente aquilo que os povos da floresta sempre souberam: sem as abelhas, não há colheita, não há comida, não há futuro. O mel não é só doçura, é sobrevivência.
Por tudo isso, nesta véspera do Dia Nacional do Controle da Poluição por Agrotóxicos, o Viva Maria faz questão de lembrar que 11 de janeiro é uma data que nos convoca a uma atitude contra o uso indiscriminado de agrotóxicos, que, para quem ainda duvida, têm efeitos devastadores na saúde humana e na vida do planeta, já que põem em risco a sobrevivência dos polinizadores, mais precisamente das abelhas, responsáveis por cerca de 70% da polinização das plantas.
O Viva Maria se une aos ambientalistas, jornalistas e a você que também se preocupa com o uso do veneno, como é o caso do meu amigo João do Mel, meliponicultor de ofício que vive há mais de quatro décadas na cidade de Belterra, região metropolitana de Santarém, no Pará, a 724 quilômetros de Belém. Seu João do Mel se vale de sua poesia para denunciar a devastação em sua terra. Vamos ouvi-lo.
Viva Maria , .
Fonte: Agencia brasil EBC..
Fri, 09 Jan 2026 06:49:00 -0300

