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Por que falar “flurona” pode ser enganoso?

Por que falar

O termo “flurona” ganhou popularidade, nas redes sociais, para identificar uma pessoa que está simultaneamente infectada pelo coronavírus SARS-CoV-2 e pela influenza (gripe). No entanto, a Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, defende que a expressão não deve ser usada, já que poderia levar os indivíduos a uma compreensão, no mínimo, enganosa da situação.

No Twitter, a universidade norte-americana compartilhou um GIF, feito a partir de um trecho do filme Meninas Malvadas, para chamar a atenção para esta discussão. O termo correto para “flurona” deveria ser coinfecção ou dupla infecção por covid-19 e influenza.

“Atenção, escritores de manchetes e tuítes: parem de tentar fazer do ‘flurona’ uma realidade. Sim, as pessoas podem pegar covid-19 e gripe, mas isso não significa que há um novo vírus por aí. É só azar de pegar mais de um simultaneamente. Chamar de ‘flurona’ pode confundir”, escreveu a universidade.

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Termo “flurona” pode ser inadequado para definir casos de coinfecção de gripe e covid-19 (Imagem: Reprodução/Photocreo/Envato)

Entenda o termo “flurona”

Quadros de coinfecção por covid-19 e influenza passaram a ser reconhecidos como “flurona” desde que Israel registrou o primeiro caso do tipo. Para entender: este termo representa a junção das palavras “flu” — gripe em inglês — e corona — do coronavírus SARS-CoV-2.

Nas redes, chegou a existir uma discussão para “aportuguesar” o termo. Nesse sentido, foram sugeridas outras expressões para nomear os casos de coinfecção, como griporona ou ainda gripona. No entanto, essas expressões também estão incorretas, do ponto de vista técnico.

Sobre a questão, o pesquisador e virologista Anderson F. Brito destaca que “não existe um vírus híbrido da gripe/covid-19” e que “Infecções simultâneas por vírus que se disseminam juntos acontecem”, mesmo que sejam indesejáveis.

“É importante ter muito cuidado ao inventar termos não-oficiais para designar doenças ou patógenos. Termos, como ‘flurona’ e ‘Delta plus’, só geram confusão e ansiedade desnecessárias”, completa o pesquisador.

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Fonte: Canaltech