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Preview | Novo jogo da Mad Mimic, Dandy Ace traz cores, poses e desafio alto

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Um único minion, armado com um garfinho ou capaz de disparar projéteis, não é uma grande ameaça para ninguém. Junte um monte deles ao lado de torres disparadoras de fogo e relógios-cuco endemoniados e você tem um exército mortal que vai te ensinar a subestimar as ameaças que encontra pela frente. Assim, logo de início, Dandy Ace já mostra a que veio e demonstra ser uma força que merece consideração.

O novo game do estúdio brasileiro Mad Mimic (de No Heroes Here e Mônica e a Guarda dos Coelhos) é um roguelike de corpo e alma. No comando do mágico que dá nome ao jogo, somos jogados em um mundo fantástico de labirintos aleatórios, com posicionamento de inimigos, caminhos e itens distribuídos a cada jogada. Uma rodada nunca será igual a anterior, mas todas serão absolutamente insanas.

Para atacar, o jogador usa cartas que garantem diferentes poderes aos quatro botões de face do controle, e estas, também, são aleatórias. É como se os desenvolvedores tentassem marcar o destino do personagem principal logo de início, como um crupiê, entregando os poderes que permitirão seguir em frente. Ao jogador, basta se adaptar à mão entregue e torcer para, caso não seja favorecido pela sorte, encontrar itens e inimigos clementes pelo caminho.


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A sorte, aliás, é uma palavra de ordem em Dandy Ace. O jogador sempre estará contando com ela, além das próprias habilidades, para seguir adiante. Como dito, os itens que surgem pelo cenário são tão aleatórios quanto os inimigos, e o título não se preocupa em estender a mão logo de início, muito pelo contrário. O tutorial é breve e, sem introduções, o protagonista parte para o combate, que pode ser esmagador ou tranquilo de acordo com o que o sistema procedural desejar naquele momento.

Meteoro da paixão

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As cartas de Dandy Ace são ataques, mas também podem ser combinadas para criar novos poderes (Imagem: Reprodução/Felipe Demartini)

Dandy Ace é daqueles games que bebem de diferentes fontes de referência para criar seu próprio conjunto, indo desde o design clássico de cartas de Magic até poses que vão agradar aos fãs dos animes. Há também um enredo por trás de toda a aventura e diálogos bastante inspirados com NPCs, assim como um sistema que permite estratégia e preparo antes de cada etapa.

Na trama, nosso protagonista é preso nesse mundo mágico e cheio de perigos pelo seu principal rival, o Green-Eyed Illusionist. Não apenas isso, mas ao ser enclausurado, Dandy Ace também viu suas cartas mágicas serem destruídas e espalhadas em fragmentos pelos cenários, devendo ser recuperadas pelas fases, dando novos poderes que ajudam a seguir em frente.

As cartas são a base de um dos sistemas mais interessantes do título. Cada uma delas possui seu próprio poder, mas também podem ser combinadas entre si para criação de novos tipos de ataque. Um disparo simples, por exemplo, pode se tornar explosivo, enquanto um dash de fuga passa a causar também dano de área quando ativado, em um jogo de estratégia e soma que abre um mundo de possibilidades.

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A dificuldade de Dandy Ace é alta, e com uma escassex de itens de cura, o jogador deve recorrer muito mais à estratégia e bom uso dos poderes (Imagem: Reprodução/Felipe Demartini)

Fazer isso não é sacrifício nenhum, pois avançamos em fases geradas de forma randômica e com gráficos bastante interessantes. Os efeitos de luz e cores chamam a atenção e dão o clima bufante de toda a aventura, um aceno principalmente à animação japonesa e suas duas referências mais claras e diretas: Persona e JoJo’s Bizarre Adventure.

Outra fonte da qual a Mad Mimic bebe é a do estilo Metroidvania, com os cenários, apesar de procedurais, também convidando a explorações posteriores. Portas trancadas exigem chaves identificadas pelos naipes de um baralho e, quando abertas, dão acesso a novos poderes e fragmentos de cartas, bem como novos perigos.

Ao jogador, é importante estar sempre bem equipado e ter pleno conhecimento das habilidades que possui na mão. As magias, felizmente, não possuem munição finita, mas sim um sistema de cooldown, impedindo que poderes especiais sejam utilizados sem parar. O aspecto exige treinamento e, principalmente, calma na utilização, enquanto o posicionamento nos cenários e o uso de habilidades de fuga se torna essencial.

Tudo isso se desenrola em um estilo retro, mas daqueles que tenta criar sua própria personalidade. Graficamente, a lembrança imediata em estilo são os visuais do Super Nintendo, fugindo da armadilha fácil do Pixel Art e dando o carisma necessário que os cenários cheios de luzes e artefatos, bem como barracas com neon e personagens bem detalhados, precisam.

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Com visuais a la Super Nintendo, Dandy Ace bebe de diferentes influências para criar sua própria identidade (Imagem: Reprodução/Felipe Demartini)

O título é difícil sem ser punitivo, mas um ajuste na aparição de itens de recuperação de energia não faria mal a ninguém, principalmente em um game no qual o jogador perde tudo e volta para o começo ao morrer. Todo o restante parece estar equilibrado e desenvolvido na medida para ser desafiador e instigar, menos isso, que acaba tornando a experiência um bocado complicada.

Isso se prova verdade, principalmente, quando encontramos grandes hordas de inimigos e, na tentativa de fugir, acabamos liberando uma nova área do mapa com ainda mais oponentes ou um chefe de fase. Mover-se sem parar, atirar de acordo com as habilidades possuídas e entender os padrões dos inimigos ajuda, mas em alguns momentos, a armadilha procedural se faz presente e o jeito, então, é torcer para ter mais sorte da próxima vez.

A versão a que o Canaltech teve acesso traz cerca de um terço do game completo e, acredite, é mais do que suficiente para entender a que Dandy Ace se propõe e, principalmente, desafiar. Em certo momento, inclusive, achei que não seria possível nem mesmo passar do primeiro mapa, até que, felizmente, os deuses procedurais me agraciaram com uma boa quantidade de itens de cura pelo caminho e cenários vastos para me posicionar para o ataque, bem como o espelho que nos leva à área neutra do game e permite recuperar as forças.

Dandy Ace tem lançamento marcado para julho de 2020, com versões para PC, PlayStation 4, Xbox One e Switch. Em suas redes sociais, a desenvolvedora Mad Mimic avisa que uma versão de demonstração deve ser liberada em breve, mas ainda sem data definida.

Fonte: Canaltech