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Conheça Chloe, ótima série escondida entre grifes do Prime Video

Com um olhar crítico sobre o uso das redes sociais, a minissérie britânica Chloe é um tesouro escondido no Prime Video. O ótimo drama é ofuscado por uma trinca de grifes que atualmente domina a plataforma da Amazon: A Lista Terminal, The Boys e O Verão que Mudou Minha Vida. Fora do radar, Chloe não apenas merece ser vista pela qualidade da trama e da produção, vale por se apresentar como um estudo do comportamento social contemporâneo.

Chloe entrou no Prime Video no último dia 24, lançamento mundial. Originalmente, a minissérie foi exibida primeiro no Reino Unido, na rede BBC, em fevereiro. O protagonismo ficou por conta de Erin Doherty, que muitos conhecem pelo papel da princesa Anne em The Crown (Netflix).

A história do drama segue a vida de Becky Green (Erin), uma jovem de 20 e poucos anos da classe média inglesa. A rotina solitária dela, após horas de trabalho como secretária interina, é dominada pelo vício nas redes sociais, principalmente em um aplicativo que lembra o Instagram. Ela toma café da manhã mexendo no celular, vendo fotos e imagens de outras pessoas. E à noite cai no sono após chegar no limite de novas publicações a serem vistas no app.

Becky tem uma obsessão: seguir de perto as novidades compartilhadas por Chloe Fairbourne (Poppy Gilbert). Ela inveja a socialite, aparentemente da mesma idade, que parece desfrutar de uma vida dos sonhos, sempre sorridente em lugares belos, acompanhada de amigos e marido, aproveitando as melhores comidas e bebidas, indo nos lugares mais descolados…

Do nada, uma publicação de Chloe abala Becky. Um post com trecho da música There is a Light That Never Goes Out, da banda The Smiths, revela que a estonteante ruiva morreu, aparentemente de suicídio. No puro instinto, Becky resolve se infiltrar no mundo da jovem morta.

A atriz Erin Doherty em Chloe
A atriz Erin Doherty em Chloe

Vida aberta online

Assumindo outra identidade, Becky usa postagens antigas de Chloe para traçar a rotina e elencar os gostos da socialite. A investigação leva em conta também saber o que os amigos dela fazem, chave para entrar naquele mundo tão distante. Becky inventa outro nome, Sasha, cria uma história não muito bem elaborada e passa a caminhar no círculo de amigos de Chloe, enxergando a vida por outro prisma.

É assustador ver como Becky consegue, sem muita dificuldade, entrar no mundo de Chloe. Bastou ela conferir publicações na rede social e fazer análises simples, como ver em qual lugar a melhor amiga de Chloe faz aulas de ioga e dar um jeito de se aproximar dela.

Realmente, basta olharmos no Instagram agora, seja a página de uma pessoa próxima ou alguma celebridade, que sem muito esforço dá para traçar a rotina de fulano(a), da academia onde “se paga” os exercícios diários ao restaurante favorito.

O alerta dado por Chloe é sobre o cuidado ao fazer determinadas postagens. Atualmente, as próprias redes sociais possibilitam restrições, como permitir que apenas um grupo determinado de pessoas possa ver uma publicação específica. Porém, todo o cuidado é pouco nesse mundo.

Becky, sem dificuldade, teve sucesso nessa empreitada. Como ela fez isso na base de mentiras, uma após a outra, fica o suspense de saber até onde ela vai na pele de Sasha. E isso torna a minissérie bastante atrativa, por conduzir bem essa trajetória da personagem.

Chloe é uma minissérie composta de seis episódios, cocriada e dirigida por Alice Seabright, com passagem por Sex Education. ⬩

Fonte: Observatório da Televisão