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Taís Araújo diz que Amor de Mãe será emocionante: “Novela cheia de conflitos”

Divulgação/TV Globo

No ar como apresentadora da terceira temporada do PopStar, Taís Araújo surgirá também em Amor de Mãe, trama das 21h de Manuela Dias que estreia dia 25 de novembro. Em entrevista ao Observatório da Televisão, a famosa falou sobre a personagem que interpreta na história e do debate que pode ser criado na sociedade por causa do enredo.

Como está sendo fazer Amor de Mãe?

“Essa novela vai acabar com a gente (risos). Ela fala de um tema que é muito universal e que conversa diretamente com todo mundo. Quem não se emociona quando fala da mãe? Quem não tem uma boa relação com a mãe, que invente uma pessoa para colocar neste lugar, um lugar que é necessário e essencial. É uma novela cheia de conflitos que conseguiu explorar bem as várias maneiras de se exercer a maternidade. Não são apenas nós três (Regina Casé e Adriana Esteves), mas todos os temas são muito bem amarrados.”

Alguma vez na vida, já pensou sobre a possibilidade de não poder ser mãe? Como foi este conflito?

“Já! Antes de ter o João eu passei muito por esta questão e foi muito doido porque eu pensei em fazer fertilização in vitro e achava que não tinha estrutura emocional para lidar com esta frustração. Logo em seguida, eu engravidei dele. Aí ficou tudo bem. Tem de ser muito perseverante, as chances não são muito grandes, várias tiveram por meio deste método, mas as chances de frustração são enormes. Você tem de saber lidar com isso. É muita dureza.” 

Sua personagem tinha vontade de ser mãe?

“Não, não tem. Ela uma mulher que priorizou a profissão, depois disso, ela percebe que de nada adiantou todas as conquistas e, quando engravida, perde o filho em uma estação avançada de quase 7 meses. Ela cai, o bebê nasce, mas não sobrevive. Depois ela entra numa frustração de quase seis anos tentando ter filho, tenta uma fertilização e nunca desmanchou a decoração do quarto da criança na esperança de engravidar novamente. É uma frustração atrás da outra. A novela começa com o casamento dela que está completamente desgastado porque ela continua neste desejo e ele já não está mais a fim. Eles começam nesta última tentativa de fertilização e se separam na sequência.”

Depois que ela se torna mãe, ela muda o ritmo de trabalho?

“Ela continua no mesmo ritmo, mas fica neste conflito (da nossa geração) que você precisa aprender a se dividir entre família e vida profissional que exige mais tempo da gente. Não é só o volume de trabalho que aumentou, mas também o tempo de deslocamento até lá cresceu, a tecnologia faz com que a gente trabalhe o dia inteiro, a demanda aumentou e passamos o maior tempo da nossa vida com nossos colegas de trabalho do que com a família.”

Isso é algo que você se cobra?

“O tempo inteiro. Eu controlo tudo pelo celular, sou uma chata, fico de olho em tudo.” 

Como é sua estrutura para conseguir dar conta de tudo?

“Eu tenho uma mãe que é completamente disponível para os meus filhos, tenho duas pessoas que trabalham comigo, sendo uma nos dias de semana e outra nos finais de semana. De todo modo, minha mãe está todos os dias lá em casa. Se eu ou o Lázaro não estamos, ela vai só para coloca-los para dormir e volta para a casa dela. Este é o amor de mãe. O Lázaro e eu só conseguimos trabalhar tanto porque minha mãe é muito disponível para nós. Meu pai e meu sogro também sempre alternam e estão sempre dispostos a nos ajudar.”

Você acha que se tornou mais sensível depois da maternidade?

“Eu sempre fui uma manteiga. Sim, em determinados temas. Parece que maternidade tirou um véu dos meus olhos.” 

O que muda em sua visão de mundo?

“Você tem mais medos, te impulsiona a trabalhar, a gente pensa mais no que fazer para melhorar, pensa mais sobre o que fazer com duas crianças para trabalhar.”

A personagem tem uma questão de falta de ética, né?

“Ela aceita propina, né? Ela diz que não, mas pega um pacotinho [de dinheiro] dentro do barco na Baía de Guanabara. Ela sabe que o cara matou uma pessoa, escondeu o corpo e está lá defendendo este cara. Você pode me perguntar se ela é uma vilã, mas – ao mesmo tempo – é uma excelente mãe. Então este é o mais legal da novela da Manuela [Dias].”

A gente pode dizer que pessoas boas cometem erros gigantescos?

“Acho que sim, assim como pessoas más podem ter atitudes incríveis. Existe uma complexidade nestas personagens, que não é do tipo que você consegue torcer. Ou você se pega apaixonada por alguém que jamais torceria. Talvez seja a personagem mais complexa que eu já fiz por ter uma quantidade grande de conflitos. São muitos e um deles é a ética. Até então a maternidade não era um conflito, tá? Ela que vem a abrir os olhos dela fazendo-a se questionar qual é o tipo de exemplo que quer ser para estas crianças.” 

Como foi construir as dificuldades dessa mãe?

“Foi mais pela vivência, conversando com pessoas que adotaram crianças (na novela existe este tema), a questão da perda do filho eu não tive coragem de conversar com ninguém. Tem uma coisa muito curiosa: quando a chamada entrou no ar, três mulheres entraram em contato comigo me relatando isso, sendo uma pelo Instagram e outras duas amigas que eu sabia que passaram por isso, mas que entraram na minha vida depois deste histórico e que me relataram que passaram por isso. Eu já sabia, mas não me sentia à vontade para tocar no assunto. Esta personagem tem muitos lugares que as mulheres se identificam.” 

Você disse que ela vai abrir os olhos para a questão da ética também pela relação que ela vai ter com o personagem do Vladimir Brichta, né?

“Sim, também tem isso. Ela engravida de um ambientalista que é o maior rival do cliente dela. Ele está jogando poluentes na Baía enquanto o namorado está tentando salvar tartarugas. É um conflito maduro quando se fala em novela. O grande amor da vida dessas mulheres é a família, além de tudo o que elas construíram, a profissão… A personagem da Adriana [Esteves] tem a questão do filho, mas também tem o trabalho. Então as personagens vão além de uma história de amor. O que impede minha personagem é o conflito ético. Ela defende que não é cúmplice dele, mas apenas a advogada e ele rebate que é por isso que ele ainda está solto. Acho que a Manuela quer mostrar que existem mulheres de todos os tipos.”

Como você tem se dividido entre as gravações, o Popstar e as crianças?

“Eu consigo acordar, dar café para as crianças, coloca-los no banho e leva-los à escola todos os dias. Tem dias que eu só não consigo colocar para dormir, o Lázaro e minha mãe assumem este papel, mas no domingo consigo ficar com eles boa parte do tempo. De todo modo, eu os vejo todos os dias. Já o Popstar eu adoro! Parece que estou no recreio. Eu sempre dou os parabéns para todos os participantes porque eu não teria coragem de estar ali.”

Como você fica durante as gravações?

“Parece a apresentação dos meus filhos na escola. Se alguém erra a letra ou desafina, eu fico apreensiva. Eu fico tensa querendo que acerte. Nem me emociono porque fico tensa o tempo todo. Me divirto muito fazendo, queria muito estar ali.”

Voltando à novela, esta é sua segunda protagonista do horário nobre, mais madura. Como é para você estar neste contexto.

“É mais um trabalho que eu tenho empenho, dedicação de tempo, de estudo e mais um trabalho lindo, com um tema especial.”

Tem mais algo que você quer experimentar no campo profissional?

“Já até me perguntaram se poderiam me apresentar como cantora, mas é claro que não. Fiz isso só em Mister Brau. Adoro cantar, mas não sei. Queria saber. Não sei se eu seria uma boa diretora, mas é possível que eu gostaria de trabalhar em condução de carreira.”

Como está esta parceria com o Vladimir?

“É uma família. É muito bom! Claro que é um outro lugar, mas sempre quando acabam as gravações, a gente combina de ir jantar.” 

Como é sair de Mister Brau, passar por Aruanas e agora protagonizar Amor de Mãe?

“De Mister Brau a gente saía e ia beber, Aruanas foi bem difícil e agora, esta novela, mexe muito em um lugar de dor, apesar de ter muita beleza.” 

Rola uma pressão para ser protagonista de uma novela das 9 depois de 5 anos fora de novelas?

“Não, é uma alegria porque é uma galera tão legal…”

*Entrevista concedida ao jornalista André Romano

Fonte: Observatório da Televisão


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